Ansiedade de separação no bebê: o que fazer
Você sai da sala e o choro começa na hora? Não é manha nem colo demais. É o bebê entendendo que você existe mesmo quando não está à vista, e que ele sente sua falta.
Por Joyce Sousa, psicóloga · CRP 06/221203Atualizado em 31 de outubro de 2026 · 6 min de leitura



Pingo · resposta rápidaA ansiedade de separação, também chamada de angústia da separação, costuma aparecer entre 6 e 10 meses, fica mais intensa entre 10 e 18 meses e vai diminuindo depois dos 2 anos. É uma fase esperada: o bebê já entende que você existe quando sai, mas ainda não sabe que você volta. Despedidas curtas e sempre iguais, separações pequenas e brincadeiras de esconder ajudam.
Neste texto
O que é ansiedade de separação no bebê?Angústia da separação é a mesma coisa?Quando começa e quanto tempo dura?Quais são os sinais?Como ajudar o bebê no dia a dia?E a culpa de sair?Quando a fase pede mais atenção?Perguntas frequentesO que é ansiedade de separação no bebê?
A ansiedade de separação no bebê é o choro, o protesto e o agarrar quando a pessoa de referência se afasta. Você vai ao banheiro, entrega o bebê para a avó, fecha a porta do quarto, e ele reage como se fosse o fim do mundo. Muitas mães descrevem como um bebê que, de repente, “não deixa mais ninguém pegar”.
Por trás disso está uma descoberta. Nos primeiros meses, o que sai da vista do bebê meio que deixa de existir para ele. No segundo semestre, ele começa a entender que as pessoas continuam existindo mesmo quando somem, o que se chama permanência do objeto. Só que essa descoberta chega antes de outra: a de que quem sai, volta. O bebê sabe que você está em algum lugar, mas não sabe onde nem quando volta, e ainda não tem noção de tempo para esperar. O choro é o jeito que ele tem de chamar você.
É uma fase esperada, não um problema, e mostra duas conquistas: o bebê já sabe quem são as pessoas mais importantes para ele e já percebe quando elas não estão. O psiquiatra inglês John Bowlby, que estudou o vínculo entre bebês e cuidadores, descreveu esse protesto como parte natural dessa ligação. Falamos mais disso em apego seguro.
Angústia da separação é a mesma coisa?
Sim. Angústia da separação, ansiedade da separação e ansiedade de separação são nomes diferentes para a mesma fase do bebê. Cada texto prefere um nome: o Manual MSD, usado por médicos, fala em ansiedade da separação, e muitas famílias e escolas falam em angústia. O que importa é o que acontece com o seu bebê, e isso é igual, qualquer que seja o nome.
Diferente é o transtorno de ansiedade de separação, que é outra coisa: um medo muito maior do que o esperado para a idade, que dura semanas e atrapalha a vida da criança. Falamos dele no fim do texto.
Quando começa e quanto tempo dura?
As fontes variam um pouco nas datas, porque cada bebê tem seu ritmo. A Academia Americana de Pediatria (AAP) conta que alguns bebês mostram sinais já com 4 ou 5 meses, mas a maioria tem uma ansiedade de separação mais forte por volta de 9 meses. O Manual MSD situa o começo perto de 8 meses, o pico entre 10 e 18 meses e o fim, em geral, depois dos 2 anos.
| Idade | Como costuma ser |
|---|---|
| 4 a 6 meses | Alguns bebês já preferem rostos conhecidos e reclamam quando eles saem |
| 6 a 10 meses | A maioria começa: choro quando você sai da sala, estranha pessoas novas |
| 10 a 18 meses | Fase mais intensa para muitos bebês. Alguns que passaram tranquilos começam agora |
| 18 meses a 2 anos e meio | Vai diminuindo conforme a criança entende que você volta e consegue esperar |
Faixas aproximadas, baseadas no Manual MSD e na Academia Americana de Pediatria. Cada bebê tem seu ritmo. Fontes no fim do texto.
Ela não segue uma linha reta. Costuma piorar quando o bebê está com fome, sono ou doente, e em mudanças como a adaptação na creche.
E o estranhamento?
Na mesma época costuma aparecer o estranhamento, ou ansiedade do desconhecido: o bebê chora no colo de uma visita ou da tia que não vê sempre. O Manual MSD situa o começo por volta de 8 a 9 meses, e ele também vai diminuindo até cerca de 2 anos. Não é falta de educação nem de convivência. Peça que os parentes se aproximem devagar e deixe o bebê observar do seu colo antes. Muita gente chama esse período de “crise dos 8 meses”, e explicamos essa ideia no texto sobre o salto de desenvolvimento de 8 meses.
Quais são os sinais?
- Chora assim que você sai do cômodo, mesmo que seja por um minuto.
- Segue você pela casa, engatinhando ou andando atrás.
- Estranha pessoas que antes aceitava, como avós e tios.
- Acorda mais à noite e chama por você.
- Quer colo o tempo todo, principalmente de uma pessoa só. Veja ideias para esse momento em bebê só quer colo.
Nem todo bebê mostra tudo isso, e a intensidade varia muito de um para outro.
Como ajudar o bebê no dia a dia?
A meta não é evitar todo choro. É ajudar o bebê a aprender, aos poucos, que você sai e volta. Boa parte das dicas abaixo vem da AAP e do Manual MSD.
- Despedida curta e sempre igual. Um beijo, uma frase (“tchau, a mamãe volta depois do lanche”) e saia. Prolongar a despedida costuma prolongar o choro.
- Nunca saia escondido. Parece mais fácil, mas ensina que você pode sumir a qualquer momento, e o bebê fica mais grudado.
- Cumpra o que disse. Se falou que volta depois do lanche, volte. É assim que ele aprende a confiar.
- Comece com separações pequenas. Alguns minutos com a avó, depois mais. Prefira deixar com alguém que ele já conhece.
- Fale de outro cômodo. Quando sair da sala, continue falando ou cantando. Ele aprende que você está ali mesmo sem ver.
- Escolha bem a hora. Saídas depois de o bebê comer e dormir costumam ser mais tranquilas do que com ele cansado ou com fome.
- Um objeto de conforto, durante o dia. Um paninho ou bichinho no colo pode ajudar. No berço, a regra continua: bebê de barriga para cima e berço sem objetos.

Cadê? Achou!
Cubra o seu rosto com um pano e pergunte “cadê a mamãe?”. Tire o pano com um sorriso: “achou!”. Depois esconda um brinquedo debaixo do pano e deixe o bebê encontrar. Ele brinca com a ideia de que as coisas e as pessoas somem e voltam, sempre com você ali.
10 minutos · um pano ou toalha · 6 meses a 2 anosReceba uma por dia no appEsconde-esconde não é só brincadeira: é um treino de “some e volta” num momento em que tudo está bem. Por idade, vale assim: até 1 ano, respeite o tempo dele com pessoas novas e brinque muito de esconder; de 1 a 2 anos, explique para onde vai e quando volta usando referências que ele entende, como “depois da soneca”; a partir de 2 anos, conte o plano do dia e aumente aos poucos o tempo das separações.
E a culpa de sair?
Tudo bem sentir aperto no peito ao sair com o bebê chorando. Isso não quer dizer que você está fazendo algo errado, nem que ele vai ficar mal o tempo todo. Muitas vezes o choro para poucos minutos depois que você sai: pergunte a quem ficou com ele como foi o resto do tempo. Se a culpa está pesando, leia sobre culpa materna.
Quando a fase pede mais atenção?
Na grande maioria das vezes, a ansiedade de separação passa com tempo e paciência. A AAP lembra que é raro ela continuar todos os dias depois da idade pré-escolar. Quando ela continua muito forte depois dos 2 a 3 anos, atrapalha a vida da criança e da família ou volta com força numa criança maior, pode ser algo diferente da fase comum. Explicamos a diferença com calma em transtorno de ansiedade de separação.
Perguntas frequentes
Ansiedade de separação é sinal de que o bebê é inseguro?
Não. Ela costuma aparecer justamente porque o bebê tem um vínculo forte com você. Protestar quando a pessoa de referência sai é esperado nessa idade e não diz nada de ruim sobre o vínculo.
Meu bebê não chora quando eu saio. Está tudo bem?
Na maioria das vezes, sim. Alguns bebês têm temperamento mais tranquilo ou estão acostumados a vários cuidadores. A Academia Americana de Pediatria conta que muitas crianças só passam por essa fase mais tarde, por volta de 1 ano e 3 meses a 1 ano e meio.
Ansiedade de separação com 6 meses já é possível?
Sim. A Academia Americana de Pediatria conta que alguns bebês mostram sinais já com 4 ou 5 meses, embora a maioria tenha uma ansiedade de separação mais forte por volta de 9 meses. Cada bebê tem seu ritmo.
Ansiedade de separação atrapalha o sono?
Pode atrapalhar. Muitos bebês acordam mais à noite ou resistem a dormir nessa fase. Uma rotina calma e sempre igual antes de dormir costuma ajudar. O berço continua sem objetos, com o bebê de barriga para cima.
Consolini DM. Ansiedade da separação e ansiedade do desconhecido. Manual MSD, versão para profissionais (2025).
AAP, HealthyChildren.org. How to Ease Your Child’s Separation Anxiety (2026).
Bowlby J. Attachment and Loss, vol. 2: Separation (1973).

Joyce Sousa
Psicóloga · CRP 06/221203. Escreve no Bebê Brinca sobre emoções, vínculo e o brincar na primeira infância.
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Escrito por Joyce Sousa em 31/10/2026. Conteúdo informativo. Não substitui o acompanhamento do pediatra. Como fazemos o conteúdo
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