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Transtorno de ansiedade de separação: sinais

Todo bebê protesta quando a mãe sai. O transtorno é outra coisa: um medo que não combina com a idade, dura semanas e atrapalha a vida. Entenda a diferença com calma.

Por Joyce Sousa, psicóloga · CRP 06/221203Atualizado em 31 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Transtorno de ansiedade de separação: sinais

Pingo · resposta rápidaO transtorno de ansiedade de separação é um medo de ficar longe das pessoas de referência muito maior do que o esperado para a idade, que dura pelo menos 4 semanas e atrapalha a rotina, como ir à escola ou dormir. Ele é diferente da ansiedade de separação comum, esperada entre cerca de 8 meses e 2 anos. Só um profissional pode avaliar: se você desconfia, procure um psicólogo ou o pediatra.

Neste textoO que é o transtorno de ansiedade de separação?Fase normal ou transtorno: qual a diferença?Quais sinais o manual descreve, em palavras simples?Por que acontece?O que ajuda em casa enquanto você busca avaliação?Como é a avaliação e o tratamento?Perguntas frequentes

Se o seu bebê chora toda vez que você sai do quarto, respire: isso quase sempre é a fase esperada, que muita gente chama de crise de separação. Ela tem começo, meio e fim, e contamos como atravessar em ansiedade de separação no bebê. Este texto fala do transtorno de ansiedade de separação, que é outra coisa e bem menos comum.

O que é o transtorno de ansiedade de separação?

É um medo intenso e persistente de ficar longe de casa ou das pessoas a quem a criança é mais ligada, em geral os pais. O que define o transtorno não é o medo em si, que é comum na infância, e sim três coisas juntas: ele é muito maior do que o esperado para a idade, dura pelo menos 4 semanas e atrapalha a vida da criança e da família.

O transtorno está descrito no DSM-5-TR, a versão revisada de 2022 do manual de diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria. O próprio manual estima que cerca de 4% das crianças nos Estados Unidos tenham o transtorno ao longo de um ano, e ele fica bem mais raro na adolescência. O Manual MSD conta que ele pode afetar crianças pequenas já a partir dos 3 anos e é raro depois da puberdade. Na classificação de doenças usada no Brasil, a CID-10, o código é F93.0.

Este texto é informativo e não serve para diagnosticar ninguém em casa. Se algo aqui acendeu uma luz, a orientação é sempre a mesma: procure avaliação de um psicólogo ou do pediatra.

Fase normal ou transtorno: qual a diferença?

Quase todo bebê passa pela ansiedade de separação comum, que o Manual MSD situa entre cerca de 8 meses e 2 anos. Ela mostra que o bebê tem um vínculo forte com quem cuida dele, e é saudável. Em bebês de 0 a 2 anos, chorar na separação é esperado. A diferença está na idade, na intensidade e no impacto.

Fase esperadaPode indicar o transtorno
IdadeEntre cerca de 8 meses e 2 anosMedo forte que continua ou volta quando a criança já conseguiria ficar longe por um tempo
IntensidadeChora na despedida e se acalma pouco depoisSofre muito antes, durante e depois, e não se acalma
DuraçãoVai e volta, com dias melhoresPelo menos 4 semanas seguidas
ImpactoA rotina continua: creche, passeios, sonoAtrapalha ir à escola, dormir, brincar com outras crianças
CorpoChoro e protestoDor de barriga, dor de cabeça ou enjoo frequentes nas separações

Comparação simplificada, baseada no Manual MSD e no DSM-5-TR. Não substitui avaliação. Fontes no fim do texto.

Quais sinais o manual descreve, em palavras simples?

O manual descreve alguns tipos de sinal. Não é uma lista para conferir em casa: a avaliação considera a idade, quantos sinais aparecem, há quanto tempo e quanto atrapalham a vida.

  • Sofrimento intenso e repetido quando se separa, ou só de pensar em se separar, de casa ou dos pais.
  • Preocupação constante de que algo ruim aconteça com os pais, como doença ou acidente, ou de que algo vá separá-los, como se perder.
  • Recusa de sair de casa ou de ir à escola por medo da separação.
  • Medo de ficar sozinha, mesmo em outro cômodo da casa.
  • Recusa de dormir fora de casa ou sem um dos pais por perto, e pesadelos com separação.
  • Queixas no corpo, como dor de cabeça, dor de barriga ou enjoo, quando a separação acontece ou está para acontecer.

Um detalhe que confunde muitas famílias: perto dos pais, a criança costuma parecer tranquila. Por isso o problema pode passar despercebido para quem só a vê com a mãe ou o pai.

Por que acontece?

Não existe uma causa única. O Manual MSD cita acontecimentos difíceis como gatilho comum: a morte de alguém próximo ou de um bichinho, uma mudança de casa ou de cidade. Uma tendência familiar à ansiedade também pesa.

O manual lembra ainda que a ansiedade dos adultos pode aumentar a da criança, num ciclo que ninguém escolhe. Quando a criança sofre muito, é natural os adultos evitarem todas as separações. Isso alivia na hora, mas não deixa a criança descobrir que dá conta. Não é culpa de ninguém: é por isso que o acompanhamento costuma incluir os pais.

O que ajuda em casa enquanto você busca avaliação?

  1. Acolha sem aumentar o medo. “Eu sei que é difícil ficar sem mim. Eu volto depois do almoço.” Frase calma, sem mostrar preocupação demais.
  2. Despedidas curtas e previsíveis. Um ritual sempre igual e sair. Despedidas longas costumam deixar o choro mais longo.
  3. Não evite todas as separações. Separações pequenas e frequentes, que dão certo, são provas para a criança de que ela consegue.
  4. Combine com a escola. Uma pessoa de referência por lá, que receba a criança todos os dias, faz diferença. Veja ideias em adaptação na creche.
  5. Cuide do seu próprio medo. Crianças leem o rosto dos pais. Se a separação também te angustia muito, vale buscar apoio para você.
O bichinho vai e volta
O que brincar hoje · 2 a 4 anos

O bichinho vai e volta

Coloque um bichinho dentro de um pote com tampa e conte uma história: ele vai para a escola, faz coisas legais e, no fim do dia, alguém vem buscar. Abra a tampa e comemore o reencontro. Deixe a criança contar a história também. Ela ensaia a separação e a volta brincando, com você junto o tempo todo.

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Como é a avaliação e o tratamento?

A avaliação é feita por um psicólogo ou psiquiatra infantil, muitas vezes a partir de um encaminhamento do pediatra. O profissional conversa com a família, ouve a história da criança, às vezes observa uma despedida e olha para outras explicações possíveis.

Segundo o Manual MSD, o tratamento principal é a terapia cognitivo-comportamental, com participação da família: a criança vai treinando separações aos poucos, e os pais aprendem a responder aos protestos com calma e firmeza. A volta à rotina, como ir à escola, costuma ser um dos primeiros objetivos. O plano é sempre individual. Os sintomas podem voltar um pouco depois de férias ou feriados, o que é esperado e não significa que tudo foi perdido.

Perguntas frequentes

Bebê pode ter transtorno de ansiedade de separação?

Em bebês, protestar e chorar na separação é esperado, por isso a idade pesa muito na avaliação. O Manual MSD conta que o transtorno pode afetar crianças já a partir dos 3 anos. Em qualquer idade, a pergunta é se o medo é maior do que o esperado para aquela fase, e quem avalia isso é um profissional.

Qual é o CID do transtorno de ansiedade de separação?

Na CID-10, ainda muito usada no Brasil, o código é F93.0. Na CID-11, a versão mais nova da Organização Mundial da Saúde, é 6B05. O código serve para profissionais registrarem a avaliação e não substitui a conversa com quem acompanha a criança.

Superproteção causa ansiedade de separação?

Não existe uma causa única. Temperamento, histórico de ansiedade na família e acontecimentos difíceis pesam. Evitar todas as separações pode manter o medo vivo, mas isso costuma vir do amor e do cansaço, e o profissional ajuda a família a mudar com calma, sem culpa.

A criança precisa parar de ir à escola?

Em geral, não. Ficar em casa alivia o medo naquele dia, mas tende a deixar a volta mais difícil. O caminho costuma ser voltar aos poucos, com um plano combinado entre família, escola e profissional.

Adultos também têm esse transtorno?

Sim, ele também pode ser diagnosticado em adultos. Nesse caso, a avaliação considera um tempo maior de sintomas do que em crianças. Este texto fala de crianças.

Fontes

Elia J. Transtorno de ansiedade da separação. Manual MSD, versão para profissionais (2025).

Consolini DM. Ansiedade da separação e ansiedade do desconhecido. Manual MSD, versão para profissionais (2025).

American Psychiatric Association. DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, texto revisado (2022).

Joyce Sousa
Quem escreveu

Joyce Sousa

Psicóloga · CRP 06/221203. Escreve no Bebê Brinca sobre emoções, vínculo e o brincar na primeira infância.

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Escrito por Joyce Sousa em 31/10/2026. Conteúdo informativo. Não substitui o acompanhamento do pediatra. Como fazemos o conteúdo

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