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Brincar em casa0 a 2 anos

Integração sensorial: o que é e quando avaliar

Você ouviu o termo no consultório, na creche ou nas redes e ficou com dúvida. Aqui está o que ele quer dizer, sem jargão e sem susto, e como os sentidos aparecem no brincar do bebê.

Por Joyce Sousa, psicóloga · CRP 06/221203Atualizado em 31 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Integração sensorial: o que é e quando avaliar

Pingo · resposta rápidaIntegração sensorial é o processo pelo qual o corpo recebe e organiza o que vem dos sentidos, como toque, movimento e equilíbrio, para responder ao ambiente. Todo bebê faz isso desde o nascimento, brincando no colo, no chão e se mexendo, sem precisar de terapia. A terapia de integração sensorial, criada pela terapeuta ocupacional A. Jean Ayres, é feita por terapeuta ocupacional e só faz sentido depois de uma avaliação.

Neste textoO que é integração sensorial?Integração sensorial, terapia e “atividade sensorial”: qual a diferença?Como o bebê usa os sentidos no dia a dia, de 0 a 2 anos?O que a pesquisa diz sobre a terapia de integração sensorial?Quando procurar uma avaliação?Perguntas frequentes

O que é integração sensorial?

Tudo o que o bebê vive chega pelo corpo: o toque da sua mão, o cheiro do leite, o balanço do colo, a luz da janela, a sua voz. Integração sensorial é o trabalho, quase sempre invisível, de juntar essas informações e transformar em ação. É o que permite ao bebê virar a cabeça na direção de um barulho, agarrar o pote que viu, se equilibrar sentado enquanto estica o braço.

Ninguém precisa ensinar isso. Acontece no dia a dia, principalmente brincando. Cada vez que o bebê rola, é balançado, coloca algo na boca ou engatinha por um tapete áspero, ele está praticando organizar o que sente.

A escola ensina cinco sentidos. Na integração sensorial se fala de mais dois, muito importantes para os bebês:

  • Vestibular: o sentido do equilíbrio e do movimento, que fica no ouvido interno. Ele diz se o corpo está subindo, descendo, girando ou parado.
  • Proprioceptivo: a noção de onde está cada parte do corpo, mesmo de olhos fechados. Vem dos músculos e das articulações quando a criança empurra, puxa, carrega e aperta.

Alguns profissionais citam ainda a interocepção: perceber o que acontece dentro do corpo, como fome, sono e vontade de fazer xixi.

O termo ficou conhecido pelo trabalho da norte-americana A. Jean Ayres, terapeuta ocupacional e doutora em psicologia educacional, que estudou o tema nos anos 1960 e 1970 e publicou em 1972 o livro Sensory Integration and Learning Disorders. É dela a base da terapia de integração sensorial, usada até hoje por terapeutas ocupacionais.

Integração sensorial, terapia e “atividade sensorial”: qual a diferença?

As três coisas aparecem com o mesmo nome nas redes, e a confusão assusta muita família. Elas são bem diferentes:

O que éQuem faz
Integração sensorial (o processo)O jeito como o corpo organiza o que sente para agir. Acontece o tempo todo, em todo mundoTodo bebê, desde o nascimento
Terapia de integração sensorial de AyresTratamento com avaliação, metas e brincadeiras escolhidas para aquela criança, em sala com balanços, redes e texturasTerapeuta ocupacional com formação na abordagem
Atividade sensorial de casa ou da escolaBrincar com texturas, sons e movimento. Faz bem e é gostoso, mas não é terapiaFamília, educadores, qualquer adulto junto

Resumo simplificado. Fontes no fim do texto.

Um tapete de texturas ou um cesto de objetos da casa são atividade sensorial: brincadeira. Se um dia houver indicação de terapia, ela é outra coisa, com começo, meio e reavaliação.

Como o bebê usa os sentidos no dia a dia, de 0 a 2 anos?

SentidoO que ele percebeComo aparece no brincar de casa
TatoTexturas, temperatura, pressãoPano macio e áspero, pé descalço no tapete, massagem depois do banho
VestibularMovimento e equilíbrioBalançar no colo, rolar, “cavalinho” no joelho, subir e descer almofadas
ProprioceptivoPosição e força do corpoEmpurrar caixa, engatinhar por baixo da mesa, carregar a almofada
AudiçãoSons e de onde vêmBater panela com colher, cantar, chamar do outro lado do cômodo
VisãoFormas, cores, movimentoSeguir um pano colorido, olhar o rosto, esconde-esconde
Olfato e paladarCheiros e saboresCheirar uma laranja inteira, provar alimentos novos nas refeições

Ideias gerais para bebês e crianças até 2 anos, sempre com um adulto perto.

Ideias prontas para casa: um tapete sensorial caseiro para as mãos e os pés, e o cesto dos tesouros do brincar heurístico, com objetos de pesos, sons e temperaturas diferentes. O engatinhar, que muitos bebês fazem por volta do segundo semestre, é outro grande momento de corpo inteiro: veja quando o bebê engatinha. E para mais brincadeiras de 0 a 2 anos, fase por fase, veja as atividades sensoriais para bebês.

Cada bebê tem um jeito de receber o mundo

  • Mais sensível: sente forte o que para os outros é pouco. Etiqueta de roupa incomoda, barulho do liquidificador assusta.
  • Menos sensível: parece demorar a notar as coisas, como um tombo ou o nome chamado.
  • Buscador de sensações: quer movimento o tempo todo, gira, pula, morde, aperta.

Toda criança passa por um pouco de cada em algum momento, e isso faz parte do temperamento. Os profissionais prestam atenção quando um desses jeitos é muito intenso, dura muito e atrapalha a vida da criança.

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O que brincar hoje · 8 meses a 2 anos

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Apoie duas almofadas grandes uma na outra, formando um túnel no chão, e chame o bebê do outro lado. Depois, ponha uma toalha enrolada no caminho para ele passar por cima. Fique ao lado o tempo todo e pare se ele estranhar.

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O que a pesquisa diz sobre a terapia de integração sensorial?

A integração sensorial como processo do corpo é bem aceita. Já o diagnóstico e o tratamento de dificuldades nessa área ainda geram debate:

  • Academia Americana de Pediatria, 2012: recomendou que “transtorno do processamento sensorial” não seja usado como diagnóstico isolado e que a criança passe por uma avaliação completa, porque outras condições do desenvolvimento precisam ser consideradas. Disse ainda que as pesquisas sobre terapias sensoriais são limitadas e inconclusivas, e sugeriu combinar com a família um período de teste, com objetivos claros.
  • Revisão de 2019 (Schoen e colegas): concluiu que a abordagem de Ayres, feita como o método prevê, pode ser considerada prática baseada em evidência para crianças autistas de 4 a 12 anos. A conclusão se apoia em só três estudos, e as autoras são pesquisadoras da própria abordagem.
  • Revisão de 2025 (Acuña e colegas): analisou estudos com crianças de 0 a 12 anos e encontrou apoio para metas do dia a dia de crianças autistas, sem benefício para comportamentos como irritabilidade, e pediu mais pesquisa para outros grupos.

Na prática: nada disso é para o bebê com desenvolvimento típico, que só precisa brincar. Se um profissional indicar terapia, é razoável perguntar quais são os objetivos, em quanto tempo vocês vão reavaliar e como vão saber se está funcionando. Bons profissionais gostam dessas perguntas.

Quando procurar uma avaliação?

Estranhar um barulho, uma roupa ou uma comida nova de vez em quando é comum. O que pede um olhar profissional é a soma de intensidade, frequência e prejuízo no dia a dia:

  • Reações muito fortes, quase todo dia, a toque, som, roupa ou movimento comuns.
  • Incômodo que atrapalha mamar, comer, dormir, tomar banho ou brincar.
  • Bebê que parece não sentir dor, não reagir a sons ou ao seu rosto.
  • Criança que busca impacto o tempo todo, a ponto de se machucar.

O caminho começa pelo pediatra. Se for o caso, ele encaminha para um terapeuta ocupacional, e você pode conferir o registro do profissional no Crefito. A avaliação costuma incluir conversa com a família, observação da criança brincando e questionários próprios para a idade. Em dias cheios, qualquer bebê pode ficar sobrecarregado com som, luz e gente, e isso é outra coisa: veja sobrecarga sensorial no bebê.

Perguntas frequentes

O que é integração sensorial de Ayres?

É a teoria e a forma de terapia criadas pela terapeuta ocupacional norte-americana A. Jean Ayres, a partir dos anos 1960. Na terapia, o terapeuta ocupacional usa brincadeiras com movimento, toque e pressão, escolhidas para cada criança, com metas combinadas com a família. O nome “Ayres Sensory Integration” é usado para diferenciar essa abordagem de atividades sensoriais soltas.

Integração sensorial é só para criança autista?

Não. A forma como cada pessoa organiza os sentidos é assunto de todo mundo. A terapia é bastante usada com crianças autistas, e é nesse grupo que está a maior parte das pesquisas, mas também pode ser indicada em outras situações, sempre depois de uma avaliação.

Quem faz terapia de integração sensorial?

O terapeuta ocupacional com formação nessa abordagem. O caminho mais comum é começar pelo pediatra, que avalia o desenvolvimento como um todo e encaminha quando faz sentido. Você pode conferir o registro do profissional no Crefito da sua região.

Brincadeira sensorial em casa substitui terapia?

Não. Brincar com texturas, movimento e sons faz bem para qualquer bebê e é um ótimo tempo juntos, mas terapia é um plano feito por um profissional para aquela criança, com objetivos e acompanhamento.

Meu filho odeia sujar a mão. É problema sensorial?

Muitas crianças pequenas estranham texturas novas, e isso costuma mudar com tempo e convite sem pressão. Vale observar se o incômodo é forte, frequente e atrapalha comer, vestir ou brincar. Nesse caso, converse com o pediatra.

Fontes

Ayres, A. J. Sensory Integration and Learning Disorders (1972).

Zimmer, M.; Desch, L. (American Academy of Pediatrics). Sensory Integration Therapies for Children With Developmental and Behavioral Disorders. Pediatrics (2012).

Schoen, S. A. et al. A systematic review of Ayres Sensory Integration intervention for children with autism. Autism Research (2019).

Acuña, C. et al. Ayres Sensory Integration With Children Ages 0 to 12: A Systematic Review of Randomized Controlled Trials. American Journal of Occupational Therapy (2025).

Joyce Sousa
Quem escreveu

Joyce Sousa

Psicóloga · CRP 06/221203. Escreve no Bebê Brinca sobre emoções, vínculo e o brincar na primeira infância.

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Escrito por Joyce Sousa em 31/10/2026. Conteúdo informativo. Não substitui o acompanhamento do pediatra. Como fazemos o conteúdo

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