Início › Blog

Brincar em casa0 a 2 anos

Tempo de tela por idade: o que OMS e SBP dizem

A recomendação é clara, a vida real nem sempre. Veja numa tabela o que dizem a OMS, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Academia Americana de Pediatria, e o que fazer nos dias em que a TV salvou o seu banho.

Por Joyce Sousa, psicóloga · CRP 06/221203Atualizado em 1 de novembro de 2026 · 7 min de leitura

Tempo de tela por idade: o que OMS e SBP dizem

Pingo · resposta rápidaA OMS e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam evitar telas antes dos 2 anos; a Academia Americana de Pediatria abre exceção para videochamadas com a família. Entre 2 e 5 anos, o limite é de até 1 hora por dia, de preferência com um adulto junto. A SBP fala em 1 a 2 horas por dia entre 6 e 10 anos e 2 a 3 horas entre 11 e 18 anos, sempre com supervisão.

Neste textoQuanto tempo de tela é recomendado por idade?Por que as recomendações pedem para evitar telas antes dos 2 anos?Videochamada com a família conta como tela?E quando a tela já faz parte do dia?O que fazer no lugar da tela?Como diminuir o tempo de tela sem briga?Perguntas frequentes

Quanto tempo de tela é recomendado por idade?

Para saber o tempo de tela por idade, três documentos guiam o assunto no Brasil: a diretriz da Organização Mundial da Saúde para menores de 5 anos, de 2019; o manual #MenosTelas #MaisSaúde, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), de 2019, com atualização em 2024; e a recomendação da Academia Americana de Pediatria (AAP), de 2016. Lado a lado:

Calcule pela idade. Coloque a data de nascimento ou escolha a idade e veja o que OMS, SBP e AAP dizem para ela. Nada sai do seu aparelho.

ou

IdadeOMS (2019)SBPAAP (2016)
Menos de 1 anoTempo de tela não é recomendadoEvitar telas, mesmo de forma passivaEvitar, exceto videochamada
1 ano a 1 ano e 5 mesesTela sedentária (TV, vídeo, jogos) não é recomendadaEvitar telas, mesmo de forma passivaEvitar, exceto videochamada
18 a 24 mesesTela sedentária não é recomendadaEvitar telas, mesmo de forma passivaSe a família quiser, só conteúdo de qualidade e sempre assistindo junto
2 a 5 anosNo máximo 1 hora por dia; quanto menos, melhor (a diretriz vai até 4 anos)No máximo 1 hora por dia, sempre com supervisãoAté 1 hora por dia de conteúdo de qualidade, assistindo junto
6 a 10 anosFora da diretriz1 a 2 horas por dia, sempre com supervisãoSem número fixo: limites constantes e um plano de uso da família
11 a 18 anosFora da diretriz2 a 3 horas por dia, sempre com supervisão; nunca “virar a noite” jogandoSem número fixo: limites constantes e um plano de uso da família

Resumo das recomendações oficiais. Os documentos completos estão nas fontes no fim do texto.

Para todas as idades, a SBP pede ainda nada de telas durante as refeições e desligar tudo de uma a duas horas antes de dormir. A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, vai na mesma linha: menores de 2 anos não devem ser expostos a telas, e de 2 a 5 anos o máximo é uma hora por dia. A OMS acrescenta duas ideias que ajudam a entender o espírito da coisa: bebês não devem ficar mais de 1 hora seguida presos em carrinho, cadeirinha ou bebê-conforto, e, nos momentos parados, a sugestão é ler e contar histórias com um adulto. Ou seja: não é só tirar a tela, é colocar no lugar movimento e conversa.

Por que as recomendações pedem para evitar telas antes dos 2 anos?

Não é porque a tela seja um veneno. É porque o tempo do bebê é curto e ele aprende de um jeito muito específico: na troca. Ele faz um som, você responde. Ele aponta, você olha. Ele derruba, você ri. Esse vai e volta é a base da fala, do vínculo e da atenção, e muitas ideias para aproveitá-lo estão em como estimular o bebê a falar.

A tela não responde. Ela fala sem esperar a vez do bebê e não percebe quando ele sorri. A AAP lembra que crianças pequenas têm dificuldade de levar para a vida real o que veem na tela e aprendem muito mais com pessoas de verdade.

Tem também a questão do lugar que a tela ocupa. Cada minuto diante dela é um minuto a menos no chão, no colo, se mexendo. Por isso a OMS trata o assunto junto com movimento e sono: é tudo parte do mesmo dia.

Videochamada com a família conta como tela?

É tela, mas é diferente. Na chamada de vídeo com a avó, há conversa de ida e volta com alguém que conhece o bebê e responde a ele. Por isso a AAP abre uma exceção explícita para videochamadas antes dos 18 meses. A SBP não traz essa exceção, nem na atualização de 2024: a orientação dela continua sendo evitar telas antes dos 2 anos. Já o guia do Governo Federal sobre crianças e telas, de 2025, segue a AAP: nada de telas antes dos 2 anos, “salvo para contato com familiares por videochamada, acompanhada de pessoa adulta”.

Na prática, a videochamada funciona melhor com você junto, segurando o bebê no colo e “traduzindo” a conversa: “olha a vovó acenando!”. Curta, num momento em que ele está bem, e com o celular nas suas mãos, não nas dele.

E quando a tela já faz parte do dia?

Você precisa tomar banho. O bebê está doente e só se acalma assim. A viagem é longa. Tem dia em que a TV é o que segura a casa em pé, e isso não faz de ninguém uma mãe ou um pai ruim. Se a culpa aperta, o texto sobre culpa materna é para você.

As recomendações mostram o caminho, não servem para julgar. Quando a tela entrar, dá para diminuir o peso dela:

  • Conteúdo lento e curto, sem uma cena atrás da outra.
  • Sem reprodução automática. Acabou o episódio, acabou a tela.
  • Com você junto sempre que der, conversando sobre o que aparece.
  • Fora das refeições e longe da hora de dormir.
  • Não como primeira resposta ao choro. Funciona rápido, e é por isso que pega. Guarde para os dias de exceção e deixe o colo, a voz e uma música conhecida como primeira opção.
TV de papelão
O que brincar hoje · 6 meses a 2 anos

TV de papelão

Recorte uma janela numa caixa de papelão e apareça nela como se fosse um programa: cante, faça caretas, esconda e mostre um bichinho. Depois deixe o bebê ser o “apresentador” do outro lado, com você sempre perto.

10 minutos · uma caixa de papelão · 6 meses a 2 anosReceba uma por dia no app

O que fazer no lugar da tela?

Trocas de 10 minutos, com o que você tem em casa:

  • 0 a 6 meses: deitar no chão juntos e conversar olho no olho; cantar enquanto troca a fralda; um pano colorido passando devagar diante dos olhos.
  • 6 a 12 meses: uma gaveta baixa só dele, com potes e tampas grandes; esconder o rosto atrás de um pano; bater panela com colher de pau.
  • 12 a 24 meses: túnel de almofadas; guardar e tirar coisas de uma caixa; dançar e “congelar” quando a música para; ajudar a “lavar” os potes numa bacia com um dedo de água, com você ao alcance do braço o tempo todo.

O brincar livre, em que o bebê escolhe e você acompanha, é o jeito mais simples de começar. Para os dias presos em casa, veja as brincadeiras para dia de chuva, e para o carro e a fila do mercado, as cantigas de música para bebê. Vai comprar um brinquedo? Veja os que combinam com cada fase, com a versão caseira de cada um, em brinquedos por idade.

Como diminuir o tempo de tela sem briga?

  1. Escolha um momento por vez. Comece pelo mais fácil, como as refeições ou o primeiro horário da manhã.
  2. Tire do campo de visão. Celular longe dos olhos e controle remoto guardado: o bebê pede menos, e você também pega menos.
  3. Tenha a troca pronta. Uma caixa com potes, panos e livros à mão resolve o “e agora, o que eu dou?”.
  4. Avise antes de desligar. “Mais uma música e a gente vai brincar.” Para o bebê maior, ver você desligar com calma ajuda.
  5. Combine com quem cuida junto. Avós, babá, creche: todo mundo mais ou menos na mesma página.
  6. Guarde o seu celular também. Bebês percebem quando a atenção do adulto está na tela. Durante a brincadeira e as refeições, ele pode ficar em outro cômodo.

Espere alguns dias de protesto. É normal o bebê pedir. Fique por perto, ofereça colo e brincadeira, e a nova rotina se ajeita.

Perguntas frequentes

Tela faz mal para bebê?

As recomendações não dizem que alguns minutos fazem mal. Elas pedem para evitar porque, antes dos 2 anos, o bebê aprende principalmente na troca ao vivo com pessoas, e o tempo diante da tela costuma sair do tempo de chão, de colo e de conversa. Olhar para a semana inteira, e não para um dia, é o que conta.

Desenho educativo para bebê ajuda?

Bebês aprendem principalmente com rosto, voz e toque de verdade. Mesmo vídeos com a palavra “educativo” não substituem isso, e crianças pequenas têm dificuldade de levar para a vida real o que veem na tela. Se for usar, prefira algo calmo, curto e assistido junto.

Com quantos anos a criança pode ver desenho?

A OMS e a SBP falam em até 1 hora por dia a partir dos 2 anos, e a OMS completa: quanto menos, melhor. A Academia Americana de Pediatria aceita, entre 18 e 24 meses, conteúdo de qualidade assistido junto, se a família quiser começar antes.

TV ligada no fundo faz mal?

Ela tende a diminuir a conversa entre os adultos e o bebê e a disputar a atenção dele enquanto brinca. Não precisa virar regra rígida: o hábito de desligar quando ninguém está assistindo já ajuda bastante.

Meu bebê já assiste todo dia. E agora?

Sem culpa. Reduza aos poucos: primeiro tire a tela de um momento do dia, como as refeições, e coloque no lugar uma alternativa simples, como um pote com tampa ou uma música cantada por você. Mudanças pequenas e constantes funcionam melhor que cortes bruscos.

Fontes

OMS. Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age (2019).

Sociedade Brasileira de Pediatria, Grupo de Trabalho Saúde na Era Digital. Manual de Orientação #MenosTelas #MaisSaúde (2019) e #MenosTelas #MaisSaúde: Atualização 2024 (2024).

Governo Federal, Secretaria de Comunicação Social. Crianças, adolescentes e telas: guia sobre usos de dispositivos digitais (2025).

Ministério da Saúde. Caderneta da Criança: Passaporte da Cidadania (7ª edição revisada, 2025).

American Academy of Pediatrics, Council on Communications and Media. Media and Young Minds. Pediatrics (2016).

American Academy of Pediatrics, Council on Communications and Media. Media Use in School-Aged Children and Adolescents. Pediatrics (2016).

Joyce Sousa
Quem escreveu

Joyce Sousa

Psicóloga · CRP 06/221203. Escreve no Bebê Brinca sobre emoções, vínculo e o brincar na primeira infância.

Ver o perfil da Joyce →

Escrito por Joyce Sousa em 31/10/2026. Conteúdo informativo. Não substitui o acompanhamento do pediatra. Como fazemos o conteúdo

Conhece alguém que vai gostar? WhatsApp Pinterest

Continue por aqui

Leia também

Brincar em casaBrincar livre: o que é e como fazer com o bebê5 min de leituraBrincar em casaBrincadeiras para dia de chuva com bebê6 min de leituraBrincar em casaMúsica para bebê: cantigas com letra e gesto7 min de leitura

Hoje já tem brincadeira.Amanhã também.

Entra na lista e a gente te chama quando o app abrir.

A gente só escreve quando o app abrir. Promessa de Pingo.