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Como estimular o bebê a falar: 8 brincadeiras
Bebê aprende a falar conversando com alguém que responde. Veja o jeito de conversar que ajuda, 8 brincadeiras por idade e o que dizem as recomendações sobre tela.
Por Joyce Sousa, psicóloga · CRP 06/221203Atualizado em 31 de outubro de 2026 · 7 min de leitura


Pingo · resposta rápidaO que mais ajuda o bebê a falar é conversa de verdade, todo dia: olhar nos olhos, narrar o que vocês fazem, esperar a vez dele responder com som, gesto ou olhar, e repetir as palavras com carinho e pronúncia certa. Ler, cantar e brincar juntos contam mais do que qualquer vídeo, e a OMS não recomenda tela antes dos 2 anos.
Neste texto
O jeito de conversar que ajuda8 brincadeiras que estimulam a fala, por idadeLivros e músicas: como usarTelas: o que dizem as recomendaçõesDá para o bebê falar “mais rápido”?O que evitarQuando conversar com o pediatra ou um fonoaudiólogoPerguntas frequentesO jeito de conversar que ajuda
Quem procura como estimular o bebê a falar costuma esperar exercícios, mas a base é outra: bebê não aprende a falar só ouvindo fala. Ele aprende conversando com alguém que responde. O Center on the Developing Child, da Universidade Harvard, chama isso de “serve and return”, algo como saque e devolução, no tênis: o bebê balbucia, aponta ou chora, e o adulto devolve com olhar, palavras ou um abraço. Cada vez que isso acontece, a conversa ganha mais uma rodada.
Você não precisa de tempo extra nem de material especial. A troca de fralda, o banho, a comida e o caminho até a padaria já são cheios de oportunidades. O que faz diferença é o jeito:
- Olho no olho. A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, orienta olhar nos olhos do bebê quando estiver falando com ele. De frente, ele vê a sua boca e entende que a conversa é com ele.
- Responda e espere. Se ele faz “aaah”, devolva “aaah?”. Depois espere. A pausa é o espaço dele na conversa.
- Narre o dia. A Caderneta sugere comentar em voz alta o que vocês estão fazendo ou vendo, como quem pensa em voz alta: “agora vamos pegar o sabonete para lavar as mãos”.
- Aponte e dê nome. “Olha o gato!” Quando ele apontar, diga o nome do que ele quer mostrar. Uma palavra clara vale mais que uma explicação longa.
- Carinho na voz, palavras certas. A Caderneta recomenda a fala materna, aquela voz meiga que alonga as vogais, mas pede pronúncia correta (nada de “papá macalão”) e poucos diminutivos: “pão” tem uma sílaba, “pãozinho” tem três, e fica mais difícil para o bebê separar.
- Aumente um pouquinho. Se ele diz “bola”, você responde “bola azul!”. Você mostra o próximo passo sem cobrar.
Esta página é a parte prática. Se a sua dúvida é sobre a idade e o que é esperado, veja com quantos meses o bebê começa a falar.
8 brincadeiras que estimulam a fala, por idade
1. Conversa de caretas e sons (0 a 6 meses)
Só você. Com o bebê acordado no colo, perto do seu rosto, faça uma careta lenta ou um som (“uuu”, um estalo de língua) e espere. Se ele responder, imite o que ele fez. A Caderneta sugere brincar de imitação entre 4 e 6 meses: caretas, língua para fora, sorrisos. Fale também de um lado onde ele não vê você, para ele virar procurando a sua voz. Exercita: a vez de cada um na conversa.
2. Cadê, achou com nome (6 a 12 meses)
Um pano leve. Cubra o seu rosto ou um brinquedo e pergunte “cadê?”. Tire o pano e diga o nome com alegria: “achou a mamãe!”, “achou a bola!”. A Caderneta sugere essa brincadeira entre 6 e 9 meses. A versão com a bola é a brincadeira do dia, logo abaixo. Exercita: ligar a palavra à coisa.
3. Música com gestos (6 a 18 meses)
Sua voz. “Parabéns pra você”, “Cabeça, ombro, joelho e pé”, “A dona aranha”. A Caderneta orienta, entre 9 e 12 meses, cantar fazendo gestos, batendo palmas e dando tchau para o bebê imitar. Cante sempre igual e pare antes de uma palavra conhecida para ele completar, com som ou gesto. Exercita: ritmo, imitação e antecipação.
4. Caixa de bichos e sons (9 a 18 meses)
Uma caixa e bichinhos grandes de brinquedo. Tire um bicho de cada vez: “a vaca faz muuu!”. Espere ele tentar o som. A Caderneta sugere reproduzir sons de animais e objetos e pedir que o bebê imite. Os bichos precisam ser grandes demais para caber num rolo de papel higiênico. Exercita: sons fáceis que muitas vezes viram as primeiras “palavras”.
5. Livro de figuras apontando (9 a 24 meses)
Um livro com figuras grandes. Em vez de ler o texto, aponte e nomeie: “olha o cachorro!”. Depois pergunte: “cadê o cachorro?”, e espere ele apontar. Pelo CDC, aos 2 anos a maioria aponta coisas no livro quando você pede. Exercita: entender a palavra antes de dizer.
6. Alô, quem é? (12 a 24 meses)
Um telefone de brinquedo ou um pote com tampa. “Alô? É a vovó!” Fale um pouco, faça uma pausa como quem escuta, e passe o “telefone” para ele. Qualquer “alô” ou balbucio vale. Exercita: conversa de vai e vem e faz de conta.
7. Onde está? pela casa (12 a 24 meses)
Objetos do dia a dia. “Onde está o sapato?” “Cadê a colher?” Comece com coisas à vista e comemore quando ele mostrar. A Caderneta sugere fazer perguntas simples e pequenos pedidos, como “vem aqui” e “me dá”. Exercita: compreensão e vocabulário.
8. Faz de conta de comidinha (18 a 24 meses)
Potes, colheres e comidinhas de brinquedo ou de papel. Cozinhe junto: “vamos mexer, mexe, mexe… está quente! sopra!”. Ofereça escolhas: “banana ou maçã?”. Espere a resposta, com palavra ou gesto. Exercita: verbos, escolhas e frases curtas.

Cadê, cadê?
Cubra uma bola grande com um pano leve, na frente do bebê. Pergunte com suspense: “cadê a bola?”. Espere um pouco e tire o pano: “achou! bola!”. Repita algumas vezes e depois deixe ele tirar o pano. A mesma palavra, muitas vezes, com alegria. Fique junto o tempo todo.
10 minutos · uma bola e um pano leve · 8 a 24 mesesReceba uma por dia no appLivros e músicas: como usar
A Caderneta da Criança sugere ler e contar histórias desde os primeiros meses, cantar músicas com repetição e, quando o bebê crescer, deixar que ele complete os versos. Para os menores, ela indica livros de plástico e de pano, com ilustrações em cores fortes. Não precisa ler a história inteira: virar páginas, apontar e nomear já é leitura. A mesma história muitas vezes é ótimo, porque o bebê aprende o que vem depois. Para ideias de canções, veja o texto sobre música para bebê.
Telas: o que dizem as recomendações
A OMS não recomenda tempo de tela para bebês com menos de 1 ano nem para crianças de 1 ano, e, aos 2 anos, no máximo 1 hora por dia: quanto menos, melhor. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta evitar a exposição de crianças menores de 2 anos às telas, “nem passivamente”, e a Caderneta da Criança diz o mesmo. A televisão ligada de fundo também conta: ela compete com a sua voz e diminui as conversas.
A exceção que a AAP, a Academia Americana de Pediatria, considera positiva é a videochamada com a família, porque nela alguém responde ao bebê. O que ajuda a fala é exatamente isso, e vídeo não espera a vez dele. Falamos mais do tema no texto sobre tempo de tela para bebê.
Dá para o bebê falar “mais rápido”?
Não existe atalho, e nenhum brinquedo, aplicativo ou exercício faz a fala chegar antes da hora dele. O que existe é dar ao bebê muitas chances de conversar, todos os dias. É justamente essa conversa cotidiana, cheia de pausas e respostas, que constrói a fala. Você pode fazer tudo isso e o seu bebê continuar falando pouco por um tempo, e isso não quer dizer que você fez algo errado. Muitos bebês entendem bastante antes de falar e soltam várias palavras de uma vez, mais adiante.
O que evitar
- Pressão para repetir. “Fala mamãe! Fala!” costuma virar silêncio. Convide, não cobre, e não transforme a palavra em teste para as visitas.
- Completar tudo por ele. Adivinhar antes de ele pedir tira a chance de tentar. Espere um instante para ele mostrar o que quer, com som, gesto ou palavra, e depois coloque em palavras: “ah, você quer água”.
- Corrigir com bronca. Repita o jeito certo com naturalidade e siga a conversa.
- Falar errado de propósito. A criança aprende com o que ouve, lembra a Caderneta. Carinho na voz, palavras certas.
- Comparar. O primo que fala tudo não é régua. A fala é um dos marcos com mais variação entre bebês saudáveis. Se ele já passou dos 2 anos e fala pouco, leia o texto sobre a criança de 2 anos que não fala.
Quando conversar com o pediatra ou um fonoaudiólogo
Para falar, o bebê precisa ouvir bem. A Caderneta da Criança pede atenção se a criança não acorda com barulhos nem reage aos sons da casa, se não atende quando falam com ela ou só atende olhando para a pessoa, ou se fala pouco ou não fala. Também prevê o teste da orelhinha, de preferência na maternidade.
Perguntas frequentes
Devo corrigir quando o bebê fala errado?
Corrigir com bronca, não. Repita a palavra certa com naturalidade, como quem continua a conversa: se ele diz “aga”, você responde “água! quer água?”. Ele ouve o jeito certo sem sentir que errou.
Até quando é normal um bebê não falar?
Pelo CDC, aos 12 meses a maioria chama os pais por um nome especial e aos 18 meses tenta dizer três palavras ou mais. A página sobre quando o bebê começa a falar traz a linha do tempo completa e os pontos em que vale conversar com o pediatra.
Creche ajuda o bebê a falar?
Conviver com outras crianças e adultos atentos pode ajudar, e a Caderneta da Criança incentiva o contato com outras crianças. Mas não é condição para falar. Em casa ou na creche, o que faz diferença é ter alguém que converse com o bebê e responda a ele todos os dias.
Posso ler para o bebê desde que ele nasce?
Pode, e a Caderneta da Criança diz que dá para ler até antes do nascimento. O recém-nascido não entende a história, mas aproveita a sua voz, o ritmo das frases e o colo. Ler junto também fortalece o vínculo e vira um momento calmo da rotina.
Ministério da Saúde. Caderneta da Criança: Passaporte da Cidadania (7ª edição revisada, 2025).
Center on the Developing Child, Harvard University. Serve and Return: Back-and-forth exchanges.
OMS. Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age (2019).
Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação #MenosTelas #MaisSaúde: atualização (2024).
AAP/HealthyChildren.org. Kids & Screen Time: The 5 C’s Questions to Ask for Infants (2024).

Joyce Sousa
Psicóloga · CRP 06/221203. Escreve no Bebê Brinca sobre emoções, vínculo e o brincar na primeira infância.
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Escrito por Joyce Sousa em 31/10/2026. Conteúdo informativo. Não substitui o acompanhamento do pediatra. Como fazemos o conteúdo
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