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Fala e linguagem18 meses a 2 anos e meio

Criança de 2 anos que não fala: é normal?

A fala é uma das áreas que mais variam entre crianças da mesma idade. Veja o que se espera perto dos 2 anos, o que olhar além das palavras e como funciona uma avaliação, sem alarme e sem culpa.

Por Joyce Sousa, psicóloga · CRP 06/221203Atualizado em 31 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Criança de 2 anos que não fala: é normal?

Pingo · resposta rápidaPerto dos 2 anos, a maioria das crianças já junta duas palavras, como “mais leite”, e entende pedidos simples; as cerca de 50 palavras costumam chegar mais perto dos 2 anos e meio, segundo o CDC. Há crianças que falam mais tarde e depois alcançam as outras, mas, se perto dos 2 anos ela usa poucas palavras, ainda não junta duas, não aponta ou perdeu palavras que já tinha, vale procurar o pediatra, que pode indicar teste de audição e fonoaudiólogo.

Neste textoMeu filho tem 2 anos e não fala: é normal?O que observar além das palavras?Por que algumas crianças demoram mais para falar?Como é a avaliação e com quem?O que fazer em casa enquanto isso?Quando conversar com o pediatraPerguntas frequentes

Meu filho tem 2 anos e não fala: é normal?

Se você chegou até aqui, é provável que já tenha comparado seu filho com o primo, com o colega da creche ou com o vídeo de alguma criança que fala tudo. Respira. A fala é uma das áreas que mais variam entre crianças da mesma idade, até entre irmãos.

Algumas crianças chegam perto dos 2 anos falando pouco e, meses depois, alcançam as outras. Os profissionais chamam essas crianças de “falantes tardios”. O ponto honesto é que, olhando de fora, ninguém consegue saber de antemão quem vai alcançar sozinho e quem precisa de ajuda. É por isso que pedir uma avaliação não é exagero: é a forma mais rápida de saber se basta esperar.

Para saber onde olhar, as listas do CDC, órgão de saúde dos Estados Unidos, ajudam. Elas marcam o que pelo menos 3 em cada 4 crianças já fazem em cada idade:

IdadeO que a maioria das crianças já fazFonte
Até 18 mesesTenta dizer três ou mais palavras além de “mamã” e “papá”; segue um pedido simples sem gesto, como “me dá”CDC
Até 2 anosJunta duas palavras, como “mais leite”; aponta figuras no livro quando você pede; mostra duas partes do corpo; usa gestos além de tchau e apontar, como mandar beijoCDC
Até 2 anos e meioFala cerca de 50 palavras; junta duas ou mais com uma ação, como “nenê caiu”CDC

Faixas aproximadas. Cada criança tem seu ritmo. Fontes no fim do texto.

Repare num detalhe que costuma confundir: muita gente ouviu que aos 2 anos a criança “tem que ter 50 palavras”. A ASHA, associação americana de fonoaudiologia, coloca as 50 palavras na faixa de 19 a 24 meses, e um documento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) fala em 50 a 200 palavras perto dos 2 anos, mas o CDC, que olha o que quase todas já fazem, só espera cerca de 50 palavras perto dos 2 anos e meio. A diferença entre as listas mostra o tamanho da variação. Aos 2 anos, o sinal mais usado é outro: começar a juntar duas palavras. Para ver o caminho desde o começo, a página com quantos meses o bebê começa a falar traz a linha do tempo inteira.

O que observar além das palavras?

Palavra é só uma parte da comunicação. Antes de contar quantas palavras seu filho diz, observe como ele se comunica do jeito dele. Isso ajuda você e ajuda muito o profissional que for avaliar.

  • Ele entende? Se você diz “pega o sapato” sem apontar, ele vai buscar? Entende “cadê a vovó?”
  • Atende pelo nome? Olha para você quando é chamado, mesmo distraído com um brinquedo?
  • Aponta para pedir e para mostrar? Aponta o que quer e também te mostra um avião ou um cachorro, só para dividir a descoberta?
  • Imita? Copia gestos, sons de bicho, o jeito como você varre a casa ou fala ao telefone?
  • Brinca de faz de conta? Dá comida para a boneca, finge que fala ao telefone?

Uma criança que fala pouco, mas entende, aponta, imita e busca contato, está mostrando muita coisa. Isso não dispensa a avaliação, mas é uma informação valiosa para a consulta. Para entender o gesto que mais anda junto com a fala, veja quando o bebê começa a apontar.

Por que algumas crianças demoram mais para falar?

Não é preguiça, não é manha e não é porque você fez algo errado. A fala depende de muitas coisas ao mesmo tempo: ouvir bem, entender, ter vontade de se comunicar e coordenar boca, língua e respiração. Quando ela demora, os profissionais costumam falar em atraso na fala, que é uma descrição do momento, não um diagnóstico. Algumas coisas que entram na conversa:

  • Audição. Mesmo com o teste da orelhinha normal ao nascer, infecções de ouvido repetidas podem atrapalhar por um tempo. Conte ao pediatra se a criança não reage a sons, pede volume alto ou parece não ouvir quando está de costas.
  • Ritmo próprio. Há famílias em que várias crianças falaram mais tarde. Isso vale contar na consulta.
  • Pouca conversa cara a cara. A criança aprende a falar conversando com alguém que responde. Tela não faz esse papel. Veja tempo de tela por idade.
  • Duas línguas em casa. Publicações da ASHA lembram que crescer com duas línguas não causa atraso. As palavras podem se dividir entre os dois idiomas, mas uma demora grande merece avaliação como em qualquer criança.
  • Condições que só uma avaliação identifica. Algumas crianças têm um transtorno de linguagem, dificuldade para planejar os movimentos da fala ou autismo. Ninguém descobre isso olhando de fora, e é justamente para isso que a avaliação existe.

Como é a avaliação e com quem?

O caminho costuma começar no pediatra. Ele conversa com você, observa a criança e pode pedir exame de audição, que é um dos primeiros passos. Depois, encaminha para o fonoaudiólogo e, quando precisa, para outros profissionais, como neuropediatra ou psicólogo. Pelo SUS, o caminho começa na Unidade Básica de Saúde.

Muitas famílias adiam por medo do que vão ouvir. Vale saber como costuma ser: o fonoaudiólogo pergunta sobre a história e a rotina da criança, observa ela brincando e vê como ela entende e se comunica. Para a criança, parece uma hora de brincadeira. No fim, ele pode dizer que vale só acompanhar e rever em alguns meses, sugerir mudanças simples em casa ou indicar sessões. Avaliar cedo não coloca rótulo: abre caminho.

Bola ou bloco?
O que brincar hoje · 2 anos

Bola ou bloco?

Segure uma bola numa mão e um bloquinho grande na outra e pergunte: “bola ou bloco?”. Se ela apontar, pegar ou disser só um pedaço, diga a palavra inteira e entregue. Troque os objetos e repita. Sempre com você do lado, o tempo todo.

10 minutos · uma bola e um bloquinho grande · 18 meses a 3 anosReceba uma por dia no app

O que fazer em casa enquanto isso?

Nada aqui substitui a avaliação, mas tudo pode começar hoje, junto com ela:

  1. Fale menos perguntas, mais comentários. Em vez de “o que é isso? fala!”, diga “olha, um cachorro grande!”. Sem cobrança, a criança tenta mais.
  2. Dê escolhas. “Água ou suco?”, mostrando os dois. A resposta pode ser gesto, olhar ou meia palavra: aceite e diga a palavra inteira.
  3. Acrescente uma palavra. Ela disse “bola”? “Bola azul!” Um passo à frente do que ela já faz.
  4. Espere a vez dela. Antes de entregar o que ela quer, espere uns segundos com expectativa no rosto.
  5. Leia e cante com pausa. Pare antes da palavra conhecida do livro ou da música e deixe ela completar.

Mais ideias de brincadeiras estão em como estimular o bebê a falar.

Quando conversar com o pediatra

Perguntas frequentes

Criança de 2 anos que só fala “mamã” e “papá” é normal?

Está abaixo do que a maioria faz nessa idade. Pelas listas do CDC, até 1 ano e meio a maioria das crianças já tenta três ou mais palavras além dessas. Vale conversar com o pediatra sobre avaliação com fonoaudiólogo, sem esperar a próxima consulta de rotina.

Minha filha tem 2 anos e não fala direito. É a mesma coisa?

Não. Falar pouco e falar de um jeito difícil de entender são coisas diferentes. Aos 2 anos é esperado que muita palavra saia pela metade ou trocada, como “ága” para água. Se ela fala bastante mas quase ninguém entende, ou se você sente que ela se frustra muito por não ser entendida, leve a dúvida ao pediatra.

Falar tarde é sinal de autismo?

Não por si só. Muitas crianças que falam tarde olham nos olhos, apontam para mostrar coisas, respondem ao nome e brincam junto. O pediatra olha o conjunto. A Caderneta da Criança traz o M-CHAT-R, um questionário de triagem para crianças de 16 a 30 meses: ele ajuda a decidir quem precisa de uma avaliação mais de perto, mas não dá diagnóstico. Se você tem essa dúvida, leve-a para a consulta.

Se ela entende tudo, ainda precisa de fonoaudiólogo?

Entender bem é um ótimo sinal, mas não substitui a avaliação se a fala não está vindo. A ASHA, associação americana de fonoaudiologia, lembra que a família não precisa esperar para ver quando desconfia de algo. O fonoaudiólogo pode dizer se é caso de acompanhar ou de começar algum trabalho.

Quanto tempo devo esperar antes de procurar ajuda?

Não precisa esperar. Se a dúvida existe, ela já é motivo para conversar com o pediatra. Às vezes a resposta é “vamos rever em alguns meses”, e você sai da consulta com um plano em vez de uma preocupação.

Fontes

CDC. Learn the Signs. Act Early: marcos de 18 meses, 2 anos e 30 meses (2022).

ASHA (American Speech-Language-Hearing Association). Communication Milestones: 19 to 24 Months (2023) e Late Blooming or Language Problem?

Sociedade Brasileira de Pediatria. Campanha da Caderneta da Criança: avaliação do desenvolvimento de 18 a 24 meses (Documento Científico nº 4.5, 2020).

Ministério da Saúde. Caderneta da Criança: Passaporte da Cidadania (7ª edição revisada, 2025).

Joyce Sousa
Quem escreveu

Joyce Sousa

Psicóloga · CRP 06/221203. Escreve no Bebê Brinca sobre emoções, vínculo e o brincar na primeira infância.

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Escrito por Joyce Sousa em 31/10/2026. Conteúdo informativo. Não substitui o acompanhamento do pediatra. Como fazemos o conteúdo

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