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Bebê de 1 ano e 8 meses: fala, birra e brincar

Quer comer sozinho, tirar o sapato sozinho, escolher a roupa sozinho. E diz “não” para quase tudo. Veja o que está por trás dessa fase, o que esperar da fala e como abrir espaço sem perder o limite.

Por Joyce Sousa, psicóloga · CRP 06/221203Atualizado em 31 de outubro de 2026 · 8 min de leitura

Bebê de 1 ano e 8 meses: fala, birra e brincar

Pingo · resposta rápidaCom 1 ano e 8 meses, muitas crianças usam várias palavras soltas e começam a juntar duas, como “mais leite”, algo que o CDC lista para até os 2 anos. É também a fase do “eu sozinho” e do “não”: a Caderneta da Criança lembra que as birras são frequentes a partir de 1 ano e meio. Cada criança tem seu ritmo.

Neste textoO que o bebê de 1 ano e 8 meses já faz sozinhoO que o bebê de 1 ano e 8 meses deve falarPor que tudo vira “eu!” e “não!”As primeiras birras: o que ajudaBrincadeiras para 1 ano e 8 meses: autonomia com limiteUma rotina que ajuda no mês do “não”Perguntas frequentes

O que o bebê de 1 ano e 8 meses já faz sozinho

Se o mês passado foi da fala, para o bebê de 1 ano e 8 meses este costuma ser o mês do “eu faço”. A criança quer segurar a colher, abrir a porta, subir sozinha na cadeira, escolher qual sapato. Nem sempre consegue, e é aí que mora boa parte do choro dessa idade.

A tabela junta a Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, que organiza os marcos em faixas de meses, e as listas do CDC, o centro de controle de doenças dos Estados Unidos, revisadas em 2022 para mostrar o que 75% ou mais das crianças já fazem até cada idade.

ÁreaO que costuma aparecerFaixa e fonte
VestirAjuda empurrando o braço na manga ou levantando o péAté 18 meses (CDC)
VestirTira alguma peça de roupa, como sapato ou casaco18 a 24 meses (Caderneta)
ComerCome com colherAté 2 anos (CDC)
CorpoChuta bola sem se apoiar; corre18 a 24 meses (Caderneta); até 2 anos (CDC)
MãosEmpilha 3 cubos; segura o pote com uma mão e tira a tampa com a outra18 a 24 meses (Caderneta); até 2 anos (CDC)
ComunicaçãoJunta duas palavras, como “mais leite”; aponta duas partes do corpo quando você pedeAté 2 anos (CDC)
Social e emocionalOlha seu rosto para saber como reagir numa situação nova; percebe quando alguém está tristeAté 2 anos (CDC)

Faixas aproximadas. Cada bebê tem seu ritmo. Fontes no fim do texto.

A tabela mostra uma coisa importante: querer fazer sozinha chega antes de conseguir. Vestir uma peça de roupa, por exemplo, a Caderneta só acompanha entre 24 e 30 meses. Entre o querer e o conseguir há muitos meses de tentativa, bagunça e frustração. É normal.

O que o bebê de 1 ano e 8 meses deve falar

Com 20 meses, a fala costuma estar numa fase de crescimento rápido, mas a variação entre crianças é enorme. As referências com fonte:

  • O que já costuma estar presente. Pela lista do CDC dos 18 meses, a maioria tenta dizer três ou mais palavras além de “mamã” e “papá”. Um documento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) descreve, a partir dos 18 meses, um vocabulário de pelo menos 10 palavras, podendo chegar a 25 ou mais.
  • O que vem até os 2 anos. Juntar duas palavras está na lista do CDC dos 2 anos. A ASHA, a associação americana de fonoaudiologia, descreve entre 19 e 24 meses pelo menos 50 palavras e combinações como “mais água”. A SBP fala em 50 a 200 palavras perto dos 2 anos.

Na prática, muitas crianças de 1 ano e 8 meses estão no meio do caminho: um bom punhado de palavras, algumas ainda “inventadas”, e as primeiras duplas aparecendo. “Mamãe aqui.” “Cadê papai?” “Não quer.” Repare que o “não” costuma entrar cedo nessas frases.

O que ajuda: conversar o dia todo sobre o que vocês estão fazendo, repetir certo sem corrigir (“ága” vira “água, você quer água”) e acrescentar uma palavra ao que ela diz. Mais ideias em como estimular o bebê a falar, e o caminho completo da fala em com quantos meses o bebê começa a falar.

Por que tudo vira “eu!” e “não!”

Por volta de 1 ano e meio, a criança começa a perceber que é uma pessoa separada de você, com vontades próprias. O documento da SBP descreve essa fase: ela passa a entender o conceito de “meu”, repete muito a palavra, manifesta vontade própria e diz muito “não”. Ao mesmo tempo, começa a mostrar vergonha ou tristeza depois de quebrar uma regra.

O “não” é a forma mais curta de dizer “eu existo e penso diferente”. Muitas vezes ela diz “não” e faz que sim, ou diz “não” para algo que queria muito. Não é desafio nem falta de educação: é treino de opinião, com poucas palavras ainda.

O mesmo vale para o “é meu!”. A Caderneta lembra que nessa idade a criança já entende melhor o que é dela e o que é dos outros, mas ainda precisa de orientação para dividir e para aceitar que não pode fazer tudo o que quer. Na praça, ajuda mais narrar (“ele também quer o balde, depois é a vez dele”) do que obrigar a entregar, e ter dois baldinhos quando der.

Ajuda lembrar que ela também ouve muito “não” o dia inteiro. Quanto mais a casa estiver preparada para ela explorar com segurança, menos “nãos” você precisa dizer, e menos ela devolve.

As primeiras birras: o que ajuda

A Caderneta avisa que gritar, chorar e se jogar no chão são comportamentos frequentes a partir de 1 ano e meio e nas fases seguintes. E orienta: ficar atenta, mas sem desespero; não reagir gritando ou batendo; esperar com calma, sem ceder; e, quando ela se acalmar e pedir de outro jeito, atender quando for possível e reconhecer o esforço. O CDC acrescenta uma ideia simples: ter um cantinho da casa para a criança ir quando está chateada, com você por perto para ajudar a acalmar.

Nesta idade, as crises costumam vir de três lugares: cansaço e fome, uma coisa tirada da mão, ou não conseguir fazer algo sozinha. Saber de onde veio ajuda a prevenir a próxima. Os passos para a hora da crise estão no texto sobre birra. A fase toda, que muita gente chama de crise dos 2 anos, está explicada em terrible two. E se as crises parecem fortes, longas ou frequentes demais, leia quando a birra não é normal.

Tira a meia, põe no pote
O que brincar hoje · 1 ano e 8 meses

Tira a meia, põe no pote

Coloque uma meia larga de adulto no pé dela, só até a metade. Ela puxa, tira e joga num pote. Depois é a vez do ursinho: ela tenta pôr a meia no pé dele. Tirar vem antes de vestir, então comemore cada puxão. Fique do lado o tempo todo.

10 minutos · meias largas e um pote · 1 ano e meio a 2 anosReceba uma por dia no app

Brincadeiras para 1 ano e 8 meses: autonomia com limite

Autonomia não é deixar fazer tudo. É abrir espaço para o que ela já consegue tentar, com segurança, e segurar firme o que não dá. Algumas ideias para brincar e para o dia a dia:

  • Escolhas pequenas. “Blusa azul ou amarela?” “Banho com o pato ou com o barco?” Duas opções que você aceita. Ela decide, e o banho acontece. O CDC sugere exatamente isso: escolhas simples entre duas coisas.
  • Tarefas de verdade. Levar a fralda até o lixo, guardar a colher na gaveta, regar a planta com um copinho. Ela se sente útil, e é mesmo.
  • Torre para derrubar. Empilhar potes ou blocos e deixar que ela derrube. Derrubar pode! É um jeito seguro de brincar de poder.
  • Poucos limites, sempre iguais. A Caderneta lembra que ordens diferentes ao mesmo tempo deixam a criança confusa. Escolha os limites que importam (segurança, não machucar ninguém) e diga sempre do mesmo jeito.
  • Diga o que pode. Em vez de só “não sobe aí”, diga “aqui no chão você pode pular”. O “não” sozinho deixa um buraco; o “pode” mostra o caminho.

Em toda brincadeira, um adulto por perto o tempo todo e nada pequeno a ponto de passar por dentro de um rolo de papel higiênico.

Uma rotina que ajuda no mês do “não”

Não existe “rotina ideal” com horário fixo para todas as crianças. O que ajuda é uma sequência parecida todo dia, para ela saber o que vem depois. Avisar antes faz diferença: “mais uma vez no escorregador e depois vamos para casa”. Uma musiquinha para cada momento (a do banho, a de guardar os brinquedos) transforma a troca em ritual e diminui a disputa.

  • Sono. A OMS recomenda, para crianças de 1 e 2 anos, de 11 a 14 horas de sono por dia, contando as sonecas, com horários regulares para dormir e acordar.
  • Comida. Os passos do Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, reproduzidos na Caderneta, pedem a mesma comida da família, sem açúcar e sem ultraprocessados até os 2 anos, e atenção aos sinais de fome e de saciedade. Deixe a colher com ela e tenha outra com você. Insistir costuma virar briga.
  • Telas. A Caderneta e a SBP orientam não expor a criança a telas antes dos 2 anos. Em dia de muito “não”, um passeio ao ar livre costuma render mais.
  • Fralda. Sem pressa: o CDC lembra que a maioria das crianças só deixa a fralda entre 2 e 3 anos.

E cuide de você. Um dia inteiro de “não” cansa qualquer pessoa. Revezar com outro adulto, sair para o ar livre e baixar as expectativas para a arrumação da casa vale. O guia de 1 ano e 7 meses fala de como conversar no dia a dia, e o de 1 ano e 9 meses é sobre correr, subir e os medos novos.

Perguntas frequentes

Qual a crise de 1 ano e 8 meses?

Não existe um salto com data para 1 ano e 8 meses: o calendário do livro holandês dos saltos termina por volta de 1 ano e 5 meses. O que muitas famílias chamam de crise é a combinação típica da idade: vontade própria forte, poucas palavras e pouca prática para esperar. A Caderneta da Criança registra que as birras são frequentes a partir de 1 ano e meio.

É normal uma criança de 1 ano e 8 meses não falar?

Falar pouco ainda pode ser normal, porque a faixa é larga. Não usar nenhuma palavra, não entender pedidos simples ou não apontar para mostrar são motivos para conversar com o pediatra, assim como perder palavras que já usava. A Sociedade Brasileira de Pediatria lista não usar pelo menos seis palavras aos 18 meses entre os sinais para avaliar.

Meu bebê de 1 ano e 8 meses bate: o que fazer?

Bater nessa idade costuma ser raiva sem palavras, não maldade. Segure a mão com calma e firmeza, diga em uma frase que não pode (“não pode bater, machuca”) e cuide primeiro de quem se machucou. Depois mostre o que ela pode fazer com a raiva, como bater o pé ou apertar uma almofada. Se acontece muito e com machucados, converse com o pediatra.

Quanto deve pesar um bebê de 1 ano e 8 meses?

Não há um peso certo único. A Caderneta traz as curvas de crescimento, e o pediatra observa se a criança segue a própria curva ao longo do tempo, mais do que um número isolado.

Fontes

Ministério da Saúde. Caderneta da Criança: Passaporte da Cidadania (7ª edição revisada, 2025) e Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos (2019).

CDC. Learn the Signs. Act Early: marcos dos 18 meses, 2 anos e 30 meses (2022).

Sociedade Brasileira de Pediatria. Campanha da Caderneta da Criança: avaliação do desenvolvimento de 18 a 24 meses (Documento Científico nº 4.5, 2020) e Manual de Orientação #Menos Telas #Mais Saúde: atualização 2024.

ASHA (American Speech-Language-Hearing Association). Communication Milestones: Age Ranges (2024).

OMS. Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age (2019).

Joyce Sousa
Quem escreveu

Joyce Sousa

Psicóloga · CRP 06/221203. Escreve no Bebê Brinca sobre emoções, vínculo e o brincar na primeira infância.

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A Joyce assina a parte do brincar e do vínculo. As faixas de idade seguem as fontes no fim do texto.

Escrito por Joyce Sousa em 31/10/2026. Conteúdo informativo. Não substitui o acompanhamento do pediatra. Como fazemos o conteúdo

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