Bebê de 1 ano e 6 meses: marcos e brincadeiras
Um ano e meio é a idade de um dos grandes retratos do desenvolvimento: tem consulta marcada na Caderneta e lista própria no CDC. Veja o que costuma aparecer e como olhar sem transformar isso em prova.
Por Joyce Sousa, psicóloga · CRP 06/221203Atualizado em 31 de outubro de 2026 · 9 min de leitura


Pingo · resposta rápidaCom 1 ano e 6 meses, a maioria das crianças anda sem se segurar, aponta para mostrar algo, segue um pedido simples sem gesto e tenta dizer três ou mais palavras além de “mamã” e “papá”, segundo a lista do CDC dos 18 meses. A Caderneta da Criança acompanha, entre 15 e 18 meses, usar a colher derramando pouco e falar 3 palavras. Cada criança tem seu ritmo.
Neste texto
O que o bebê de 1 ano e 6 meses já costuma fazerQuantas palavras fala uma criança de 1 ano e meio“Não!” e “É meu!”: as emoções aos 18 mesesBrincadeiras para 1 ano e 6 mesesExiste um salto de 1 ano e 6 meses?Sono, comida, telas e fralda com 1 ano e meioA consulta dos 18 meses e o que observar sem virar provaPerguntas frequentesO que o bebê de 1 ano e 6 meses já costuma fazer
O bebê de 1 ano e 6 meses está numa idade de “retrato”. A Caderneta da Criança marca uma consulta de rotina para os 18 meses, e o CDC, o centro de controle de doenças dos Estados Unidos, tem uma lista própria para essa idade. As listas do CDC foram revisadas em 2022 e trazem o que 75% ou mais das crianças já fazem até aquela idade. Ou seja: não é a média, é o que a maioria já mostra.
A Caderneta funciona de outro jeito. Ela agrupa os marcos em faixas de meses, e a criança deve alcançá-los até o fim de cada faixa. A tabela junta as duas fontes, com a origem de cada linha.
| Área | O que costuma aparecer | Faixa e fonte |
|---|---|---|
| Corpo | Anda sem se segurar; sobe e desce do sofá ou da cadeira sem ajuda | Até 18 meses (CDC) |
| Corpo | Dá dois passos para trás sem cair, por exemplo ao abrir uma gaveta | 15 a 18 meses (Caderneta) |
| Mãos | Usa colher ou garfo derramando pouco; empilha 2 cubos | 15 a 18 meses (Caderneta) |
| Mãos | Rabisca; bebe em copo sem tampa, às vezes derramando; come com os dedos | Até 18 meses (CDC) |
| Comunicação | Fala 3 palavras que não sejam nomes da família nem do bicho de estimação | 15 a 18 meses (Caderneta) |
| Comunicação | Segue um pedido de um passo sem gesto, como “me dá” | Até 18 meses (CDC) |
| Social e emocional | Se afasta, mas olha para conferir se você está perto; aponta para mostrar algo interessante; ajuda a se vestir | Até 18 meses (CDC) |
| Brincar | Imita tarefas da casa, como varrer; olha algumas páginas de livro com você | Até 18 meses (CDC) |
Faixas aproximadas. Cada bebê tem seu ritmo. Fontes no fim do texto.
Repare que quase nada da tabela é “desempenho”. São cenas do dia a dia: o jeito de comer, de pedir, de mostrar uma coisa legal que viu na rua. Por isso a melhor forma de acompanhar é olhar a rotina, não aplicar teste. Se seu bebê nasceu prematuro, compare pela idade corrigida; o pediatra orienta até quando usar essa conta.
Uma cena típica dessa idade: a criança sai andando pela sala, chega até a porta, para e olha para trás para conferir se você continua ali. Ela já quer explorar, mas ainda usa você como base segura, o ponto de onde sai e para onde volta. Outra novidade é apontar para mostrar, e não só para pedir: ela aponta o avião, olha para você, olha de novo para o avião. Esse “olha que legal!” é dividir a atenção com alguém, um pedaço importante da comunicação. Responda com palavras: “É um avião! Que barulhão!”.
Quantas palavras fala uma criança de 1 ano e meio
É a dúvida número um dessa idade, e as fontes dão faixas diferentes porque medem coisas diferentes:
- O mínimo que quase todas alcançam. Pela lista do CDC, até os 18 meses a maioria tenta dizer três ou mais palavras além de “mamã” e “papá”. A Caderneta acompanha a fala de 3 palavras entre 15 e 18 meses, sem contar nomes da família e do bicho de estimação.
- O vocabulário típico. Segundo um documento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre a avaliação de 18 a 24 meses, a partir dos 18 meses o vocabulário costuma ter pelo menos 10 palavras e pode chegar a 25 ou mais.
Ou seja: uma criança com 5 palavras e outra com 40 podem estar, as duas, dentro do esperado. Palavra, aqui, pode ser um pedaço de palavra usado sempre para a mesma coisa, como “ága” para água ou “au” para cachorro.
Entender conta tanto quanto falar. Se ela atende a um pedido simples sem você apontar, olha para onde você aponta, usa gestos e tenta se fazer entender, a comunicação está andando, mesmo com poucas palavras. O mesmo documento da SBP lista, entre os sinais para conversar com o pediatra aos 18 meses, não usar pelo menos seis palavras.
Para entender como a fala costuma evoluir daqui em diante, veja com quantos meses o bebê começa a falar. Ideias práticas para o dia a dia estão em como estimular o bebê a falar.
“Não!” e “É meu!”: as emoções aos 18 meses
Por volta de um ano e meio, muitas crianças descobrem duas palavras poderosas. O documento da SBP descreve essa fase: a criança passa a entender o conceito de “meu”, repete muito essa palavra, manifesta vontade própria e fala muito “não”. A Caderneta diz algo parecido: ela já compreende melhor o que é dela e o que é dos outros, mas ainda precisa de ajuda para dividir os brinquedos e aceitar que não pode fazer tudo o que quer.
Nada disso é falta de educação. É o começo de se perceber como uma pessoa separada de você, com opinião, e com pouquíssimas palavras para explicar o que quer. O choro rápido vem desse descompasso.
A Caderneta avisa que as birras (gritar, chorar, se jogar no chão) são frequentes a partir daqui. O que ela orienta: esperar com calma, sem gritar, sem bater e sem ceder; quando a criança se acalmar e pedir de outro jeito, atender se for possível e elogiar o esforço. O CDC acrescenta que birras são esperadas nessa idade e tendem a ficar mais curtas e menos frequentes com o tempo. Os passos para a hora da crise estão no texto sobre birra.
No “é meu!” da praça, ajuda mais narrar do que obrigar a entregar: “ele também quer o balde, depois é a vez dele”. Dividir é uma habilidade que ainda vai levar alguns anos para ficar fácil.

Ajudante da faxina
Dê um pano seco para ela e pegue outro para você. Limpem juntos a mesinha, a porta do armário, o pé da cadeira, dizendo o nome de cada coisa. Imitar o que você faz é uma das brincadeiras preferidas dessa idade. Fique por perto o tempo todo e deixe produtos de limpeza bem longe.
10 minutos · dois panos secos · 1 ano e meio a 2 anosReceba uma por dia no appBrincadeiras para 1 ano e 6 meses
Nessa idade, brincar bom é brincar curto, com pouca coisa e muita repetição. Algumas ideias que conversam com o que a criança está treinando:
- Gaveta da bagunça. Uma gaveta baixa só dela, num móvel preso na parede, com potes, tampas grandes e colheres de pau. Abrir, tirar e pôr de volta já é exercício para as mãos.
- Cadê, mostra? Na hora do banho ou da troca, pergunte “cadê o pé?” e espere. Se ela não mostrar, mostre você e comemore junto.
- Livro de uma página só. Não precisa ler a história: aponte uma figura, diga o nome, faça o som do bicho, espere ela apontar também.
- Torre de dois. Dois potes ou blocos grandes, um em cima do outro. Ela derruba, vocês riem, começa de novo.
- Giz grosso no papel. Rabiscar está na lista do CDC dos 18 meses. Papel grande no chão, giz de cera grosso e você do lado.
Em todas, fique por perto o tempo todo e confira o tamanho das peças: nada que passe por dentro de um rolo de papel higiênico.
Existe um salto de 1 ano e 6 meses?
Muita gente procura pelo “salto de 1 ano e 6 meses”. O calendário mais conhecido de saltos, do livro holandês The Wonder Weeks, dos anos 1990, termina no salto 10, por volta da semana 75, perto de 1 ano e 5 meses. Depois disso o livro não marca novas datas, e há pouca pesquisa independente sobre datas fixas.
Isso não quer dizer que nada acontece: um ano e meio costuma ser uma fase de muitas vontades e de frustração rápida, como você viu acima. Explicamos o que se sabe e o que é só popular em salto de 1 ano e 6 meses. O calendário completo está em saltos de desenvolvimento.
Sono, comida, telas e fralda com 1 ano e meio
- Sono. A OMS recomenda, para crianças de 1 e 2 anos, de 11 a 14 horas de sono por dia, contando as sonecas, com horários regulares para dormir e acordar. Cada criança tem sua necessidade dentro dessa faixa.
- Comida. Os passos do Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, que a Caderneta reproduz, pedem a mesma comida da família, nada de açúcar nem de ultraprocessados até os 2 anos, atenção aos sinais de fome e de saciedade e conversa durante a refeição. A Caderneta também orienta criar chances para a criança comer sozinha e ajudar a terminar.
- Telas. A Caderneta e a SBP orientam não expor a criança a TV, celular e tablet antes dos 2 anos. Se hoje a tela faz parte do seu dia, sem culpa: trocar aos poucos já é um passo. Mais ideias em tempo de tela para bebê.
- Fralda. Ainda não é hora de cobrar. O CDC lembra que a maioria das crianças só consegue deixar a fralda entre 2 e 3 anos, e a Caderneta conta que, perto dos 2 anos, muitas começam a avisar ou apontar quando fazem xixi ou cocô.
- Casa segura. Agora que ela sobe no sofá sozinha, a Caderneta orienta portãozinho na escada, rede ou grade nas janelas e produtos de limpeza e remédios no alto, de preferência trancados.
A consulta dos 18 meses e o que observar sem virar prova
A consulta dos 18 meses está no calendário de consultas de rotina da Caderneta, e a próxima é aos 24 meses. Leve a Caderneta: nela ficam o peso, a altura, os marcos e o calendário de vacinas, que a equipe confere a cada visita.
Nessa consulta, a equipe pode aplicar o M-CHAT-R, um questionário que está na própria Caderneta e é usado entre 16 e 30 meses. Ele serve para triagem, não para diagnóstico, e a Caderneta avisa que pode dar resultado positivo sem que haja nada.
Antes da consulta, vale observar em casa, sem pressa: ela olha para onde você aponta? Aponta para mostrar? Atende quando é chamada pelo nome? Brinca de faz de conta simples, como fingir que bebe num copo vazio? O CDC sugere levar também o que vocês fazem juntos, o que te preocupa e se alguma habilidade sumiu. Anotar ajuda a lembrar na hora.
Quer ver o que vem a seguir? O guia de 1 ano e 7 meses fala de como a fala costuma crescer e do que fazer quando ela parece pouca.
Perguntas frequentes
1 ano e meio são quantos meses?
Um ano e meio são 18 meses. É a idade da consulta de rotina dos 18 meses na Caderneta da Criança e da lista do CDC para essa idade.
Bebê de 1 ano e 6 meses que ainda não anda é normal?
No estudo da OMS sobre marcos motores, crianças saudáveis começaram a andar sozinhas entre 8,2 e 17,6 meses. E a Sociedade Brasileira de Pediatria coloca não andar sem ajuda aos 18 meses entre os sinais para olhar com o pediatra. Não é motivo de pânico: é motivo de consulta, para avaliar com calma.
Com 1 ano e meio a criança já entende tudo?
Ela entende bem mais do que fala. Pela lista do CDC, aos 18 meses a maioria já segue um pedido de um passo sem gesto, como entregar o brinquedo quando você diz “me dá”. Frases longas e dois pedidos seguidos ainda são difíceis nessa idade.
Quanto deve pesar um bebê de 1 ano e 6 meses?
Não existe um peso certo único. A Caderneta traz as curvas de crescimento, e o pediatra olha se a criança segue a própria curva ao longo das consultas, mais do que um número isolado. Leve a Caderneta em toda consulta para que o peso seja anotado.
Ministério da Saúde. Caderneta da Criança: Passaporte da Cidadania (7ª edição revisada, 2025) e Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos (2019).
CDC. Learn the Signs. Act Early: marcos dos 18 meses e dos 2 anos (2022).
Sociedade Brasileira de Pediatria. Campanha da Caderneta da Criança: avaliação do desenvolvimento de 18 a 24 meses (Documento Científico nº 4.5, 2020) e Manual de Orientação #Menos Telas #Mais Saúde: atualização 2024.
OMS. Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age (2019).
WHO Multicentre Growth Reference Study Group. WHO Motor Development Study: windows of achievement for six gross motor development milestones (2006).

Joyce Sousa
Psicóloga · CRP 06/221203. Escreve no Bebê Brinca sobre emoções, vínculo e o brincar na primeira infância.
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A Joyce assina a parte do brincar e do vínculo. As faixas de idade seguem as fontes no fim do texto.
Escrito por Joyce Sousa em 31/10/2026. Conteúdo informativo. Não substitui o acompanhamento do pediatra. Como fazemos o conteúdo
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