Salto de desenvolvimento de 1 ano: o que muda
Ajudar a guardar, querer vestir a meia sozinho, imitar a vassoura. Pouco depois do primeiro aniversário, o calendário marca o salto 8. Veja o que ele descreve, o que é fato e como atravessar.
Por Joyce Sousa, psicóloga · CRP 06/221203Atualizado em 31 de outubro de 2026 · 6 min de leitura


Pingo · resposta rápidaSim, o livro dos saltos descreve um salto de desenvolvimento perto de 1 ano: o oitavo, lembrado por volta da 55ª semana contada pela data prevista do parto, pouco depois do primeiro aniversário. Muitas famílias contam dias de mais choro e de “quer do jeito dele”, e depois uma criança que segue pequenas rotinas sozinha. Não há pesquisa que confirme a data.
Neste texto
Bebê de 1 ano tem salto?Sinais que as famílias contam no salto de 1 anoCrise de 1 ano ou começo das birras?O que muda depois: pequenas tarefas do diaOs saltos que vêm depois: 1 ano e 3 meses e 1 ano e 5 mesesO que a pesquisa mostra sobre o salto 8Como atravessar o salto de 1 anoPerguntas frequentesBebê de 1 ano tem salto?
No calendário do livro de Hetty van de Rijt e Frans Plooij, sim. O oitavo salto se chama Programas e fica na semana 55, que cai algumas semanas depois do primeiro aniversário. Um programa, no livro, é uma tarefa feita de várias sequências, com um objetivo e com escolhas no caminho. Guardar os brinquedos, por exemplo: dá para começar pelos blocos ou pela bola, usar a caixa ou o cesto, mas o fim é a sala arrumada. Segundo os autores, perto de 1 ano a criança começa a perceber que existem tarefas assim e quer participar delas.
Por que o salto pode cair depois do aniversário? Porque a semana é contada pela data prevista do parto, e não pela data de nascimento, e porque 55 semanas são um pouco mais que 12 meses. Se o seu filho nasceu antes, a referência é a idade corrigida: uma criança que nasceu dois meses antes estaria na época do salto 8 perto de 1 ano e 3 meses de vida. O calendário de saltos faz a conta para você.
Sinais que as famílias contam no salto de 1 ano
Ninguém consegue prever se o seu filho vai ter dias difíceis perto da semana 55. Quando eles aparecem, os relatos mais comuns são:
- “Eu faço!” sem palavras: tira a colher da sua mão, empurra a sua ajuda, chora quando não consegue.
- Grude e ciúme de quem cuida, especialmente em lugares novos.
- Noites e cochilos mais difíceis, às vezes na mesma época em que aparecem os primeiros passos.
- Interesse por tudo o que os adultos fazem: a vassoura, o celular, a chave, a panela.
- Choro com corpo duro quando algo é negado ou tirado da mão.
Depois, muitas famílias contam uma criança que “entra” na rotina da casa: busca o sapato quando ouve que vai sair, leva o prato para a pia, arruma do jeito dela. Isso não é promessa. Cada criança chega lá no seu tempo, com ou sem dias agitados antes.
Crise de 1 ano ou começo das birras?
“Crise de 1 ano” é o nome que muitas famílias dão a esses dias de choro e vontade própria. Na maioria das vezes, o que está aparecendo são as primeiras birras: a criança já sabe o que quer, mas ainda não tem palavras para pedir nem calma para esperar. A frustração sai pelo corpo. Isso não precisa de salto para acontecer.
Ajuda lembrar que birra não é desafio nem falta de limite: é uma criança pequena aprendendo a lidar com uma emoção grande, com você por perto. Para entender o que fazer na hora, leia sobre birra. E se quiser saber o que vem lá na frente, o guia do terrible two explica a fase dos 2 anos.

Ajudante da roupa
Separe algumas peças de roupa limpas e um cesto. Mostre: pega uma peça, coloca no cesto, diz “guardou!”. Depois peça a ajuda dele, uma peça de cada vez, e agradeça cada uma. Se ele tirar tudo de volta, faz parte: é a brincadeira dele. Fique junto o tempo todo.
10 minutos · roupas limpas e um cesto · 12 a 24 mesesReceba uma por dia no appO que muda depois: pequenas tarefas do dia
A ideia de programas combina com coisas que o CDC, o centro de controle de doenças dos Estados Unidos, espera ver na maioria das crianças nesse período. A diferença é que o CDC dá faixas largas, de meses, e não uma semana:
- Até 1 ano: coloca objetos dentro de um pote, procura o que viu você esconder, dá tchau, entende o “não”.
- Até 15 meses: tenta usar as coisas do jeito certo, como o copo, o telefone ou o livro, segue um pedido feito com gesto e palavra, empilha dois objetos, dá alguns passos sozinha.
- Até 18 meses: imita tarefas da casa, como varrer, e ajuda a se vestir empurrando o braço na manga.
Isso se espalha por seis meses. Uma criança pode estar “ajudando a guardar” com 13 meses e outra só com 17, e as duas estarem muito bem. O guia do bebê de 1 ano traz o que mais costuma acontecer nessa idade.
Os saltos que vêm depois: 1 ano e 3 meses e 1 ano e 5 meses
A partir de 1 ano, o calendário tem só mais dois saltos. Depois do décimo, o livro termina, e o desenvolvimento segue sem datas propostas.
| Salto | Semana (pela data prevista) | Idade aproximada | O que o livro descreve |
|---|---|---|---|
| 8 · Programas | semana 55 | pouco depois de 1 ano | Tarefas com objetivo, como guardar, vestir, “cozinhar” |
| 9 · Princípios | semana 64 | 1 ano e 3 meses | Estratégias: tentar de outro jeito, negociar, planejar |
| 10 · Sistemas | semana 75 | 1 ano e 5 meses | Noção de si, das regras da casa e de “a minha família” |
Faixas aproximadas. Cada bebê tem seu ritmo. Fontes no fim do texto.
O salto 9 aparece no guia da criança de 1 ano e 3 meses. Para a fase seguinte, muito buscada, veja o salto de 1 ano e 6 meses.
O que a pesquisa mostra sobre o salto 8
Quanto mais velha a criança, mais fraca fica a evidência para datas fixas. Num estudo feito na Catalunha com 18 bebês acompanhados até os 14 meses, os pesquisadores descreveram oito períodos de regressão comparáveis aos oito primeiros do livro, o que inclui este. Já num estudo sueco com 17 bebês, só cerca de 4 em cada 10 mães relataram dias mais difíceis perto do primeiro aniversário, sem apoio para um período marcado ali. E a primeira réplica publicada, feita em Groningen com quatro mães e bebês observados toda semana até os 15 meses, não encontrou o padrão de picos previsto.
Os pesquisadores suecos levantaram uma hipótese que faz sentido para quem tem um bebê de 1 ano: com o passar dos meses, a vida da família pesa cada vez mais. Volta ao trabalho, creche, mudança de casa, irmão chegando. Por volta de 1 ano, a criança também começa a se mover, a entender muito mais do que consegue dizer e a querer escolher. O estudo da OMS sobre marcos motores mostra que andar sozinho pode começar entre 8,2 e 17,6 meses. Com tanta coisa mudando, é natural haver fases difíceis. Só não dá para prever o dia em que chegam.
Como atravessar o salto de 1 ano
- Dê tarefas de verdade, do tamanho dele. Levar a fralda até o lixo, guardar a bola no cesto, entregar a colher. Participar acalma mais que ser deixado de lado.
- Ofereça escolhas pequenas. “Meia azul ou meia vermelha?” A vontade de decidir aparece, e o combinado continua de pé.
- Aceite o jeito dele. A roupa vai dobrada torta, o brinquedo vai na caixa errada. O objetivo é fazer junto, não fazer perfeito.
- Avise antes de mudar de atividade. “Mais uma vez no balanço e depois vamos para casa.” Transições anunciadas costumam ter menos choro.
- Fique por perto na frustração. Nomeie o que ele sente em poucas palavras e espere a onda passar. Ceder sempre ou brigar costuma prolongar as próximas.
Se você veio da fase anterior, releia o salto de 11 meses.
Perguntas frequentes
Por que alguns sites dão outra idade para o salto de 1 ano?
Porque há listas que numeram os saltos pelo mês de vida e chegam a falar em 12 saltos, um por mês. No calendário original, contado pela data prevista do parto, o salto 8, Programas, cai na semana 55, e o 9 só vem por volta de 1 ano e 3 meses.
Qual é o primeiro salto do bebê?
No calendário do livro, o primeiro salto se chama Sensações e fica na semana 5 contada pela data prevista do parto, pouco mais de 1 mês. São 10 saltos ao todo, do primeiro mês até perto de 1 ano e 5 meses.
Meu filho de 1 ano ainda não anda. Tem a ver com o salto?
Não. Pelo estudo da OMS, crianças saudáveis começam a andar sozinhas entre 8,2 e 17,6 meses. Com 1 ano, muitas ainda andam segurando nos móveis. Se ele não ficar em pé com apoio ou você tiver dúvidas, leve para a consulta.
O salto de 1 ano mexe com a comida?
Algumas famílias contam refeições mais disputadas, com a criança querendo segurar a colher ou recusando o que comia antes. Deixar ela participar com as mãos costuma ajudar. Recusa de comer e beber com febre ou moleza não é salto: procure o pediatra.
Sadurní M, Rostan C. Regression periods in infancy: a case study from Catalonia. The Spanish Journal of Psychology (2002).
Lindahl L, Heimann M, Ullstadius E. Occurrence of regressive periods in the normal development of Swedish infants. Em: Heimann M (org.). Regression Periods in Human Infancy (2003).
De Weerth C, van Geert P. Emotional instability as an indicator of strictly timed infantile developmental transitions. British Journal of Developmental Psychology, 16, 15-44 (1998).
CDC. Learn the Signs. Act Early: marcos de 1 ano, 15 meses e 18 meses (2022).
OMS. WHO Motor Development Study: windows of achievement for six gross motor development milestones. Acta Paediatrica (2006).

Joyce Sousa
Psicóloga · CRP 06/221203. Escreve no Bebê Brinca sobre emoções, vínculo e o brincar na primeira infância.
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Escrito por Joyce Sousa em 31/10/2026. Conteúdo informativo. Não substitui o acompanhamento do pediatra. Como fazemos o conteúdo
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