Quanto tempo dura o salto de desenvolvimento
Nos primeiros meses, as fases difíceis costumam ser curtas. Depois dos 4 meses, podem durar semanas. Veja cada salto, os sinais, o que não é salto e como atravessar esses dias.
Por Joyce Sousa, psicóloga · CRP 06/221203Atualizado em 31 de outubro de 2026 · 7 min de leitura



Pingo · resposta rápidaPelos autores que criaram a ideia dos saltos, a fase mais chorosa vai de 1 dia a cerca de 1 semana no primeiro salto, por volta de 1 mês, e cerca de 5 semanas, podendo ir de 1 a 6, no salto de 4 meses. Os números são médias descritas pelos próprios autores, contadas pela data prevista do parto, e não prazos: a pesquisa independente não confirma datas fixas.
Neste texto
Quanto tempo dura o salto de desenvolvimento?Quais são os sinais de um salto?Salto, dente ou doença: como diferenciar?O que a pesquisa diz sobre essas durações?Como atravessar o salto?E você? Cuidar de quem cuidaQuando conversar com o pediatraPerguntas frequentesQuanto tempo dura o salto de desenvolvimento?
A resposta curta: de 1 dia a cerca de 6 semanas, dependendo da época. A ideia dos saltos vem do livro holandês The Wonder Weeks, dos anos 1990, de Hetty van de Rijt e Frans Plooij. Nele, cada salto tem uma fase mais difícil, em que o bebê chora mais, pede mais colo e dorme pior, seguida de uma fase mais leve, em que ele aparece com alguma novidade.
Nos saltos dos primeiros meses, essa fase difícil é descrita como curta. A partir do salto de 4 meses, ela fica mais longa, e é por isso que tanta mãe sente que o bebê de 5 ou 6 meses “vive em salto”. Os números abaixo vêm dos próprios autores e são contados pela data prevista do parto, não pela data do nascimento. Servem como ideia de época, não como prazo: seu bebê pode ter uma fase de três dias onde os autores falam em cinco semanas, ou nem ter fase nenhuma.
| Salto | Semana (idade aproximada) | Fase difícil, segundo os autores |
|---|---|---|
| 1 · Sensações | 5 (1 mês) | de 1 dia a 1 semana |
| 2 · Padrões | 8 (2 meses) | entre as semanas 7 e 10, sem ocupar necessariamente as três |
| 3 · Transições suaves | 12 (quase 3 meses) | sem média publicada que conseguimos confirmar |
| 4 · Acontecimentos | 19 (4 meses e meio) | cerca de 5 semanas, de 1 a 6 |
| 5 · Relações | 26 (6 meses) | primeiros sinais a partir da semana 22 |
| 6 · Categorias | 37 (8 meses e meio) | cerca de 4 semanas, de 3 a 6 |
| 7 · Sequências | 46 (10 meses e meio) | numa janela larga, entre as semanas 40 e 46 |
| 8 · Programas | 55 (quase 1 ano e 1 mês) | sem média publicada que conseguimos confirmar |
| 9 · Princípios | 64 (quase 1 ano e 3 meses) | sem média publicada que conseguimos confirmar |
| 10 · Sistemas | 75 (1 ano e 5 meses) | sem média publicada que conseguimos confirmar |
Faixas aproximadas, segundo o livro e o site dos autores. Cada bebê tem seu ritmo. Fontes no fim do texto.
Repare que a fase chorosa costuma começar algumas semanas antes da semana marcada. No salto 5, por exemplo, os autores falam em primeiros sinais a partir da semana 22. Para ver a época exata do seu bebê, coloque a data prevista no calendário de saltos. Cada linha da tabela leva à página daquele salto, com a duração e os sinais da época em detalhe.
Quais são os sinais de um salto?
Salto não é doença, então a palavra “sintoma” não cabe bem, mas é a que muita gente usa na busca. Os autores resumem as fases difíceis em três palavras: choro, grude e mau humor. Na prática, o que as famílias costumam contar é isto:
- Mais choro, muitas vezes sem motivo claro, e mais difícil de acalmar.
- Mais colo e grude: o bebê reclama quando é colocado no berço ou no tapete.
- Sono mais picado: sonecas curtas e mais despertares à noite.
- Mamadas diferentes: alguns querem o peito toda hora, mais pelo conforto; outros mamam pouco e se distraem.
- Estranhamento: menos paciência com visitas e com colo de outras pessoas, principalmente no segundo semestre.
Como saber que o salto está acabando
Não há sinal exato, mas os relatos se parecem: o bebê volta a aceitar ficar um pouco no tapete, o sono fica menos picado e, muitas vezes, aparece uma novidade. Pode ser pequena, como olhar com atenção para a própria mão ou rir de uma brincadeira que antes não tinha graça. Os marcos do desenvolvimento mostram o que costuma surgir em cada idade.
Salto, dente ou doença: como diferenciar?
Uma fase de salto mexe com humor e sono, mas não deixa o bebê doente. Use a tabela como guia rápido:
| O que você nota | Combina com fase de salto | Não é salto: fale com o pediatra |
|---|---|---|
| Choro | Mais choro, mas o bebê se acalma no colo ou mamando | Choro que nada acalma por horas, fraco ou muito diferente do habitual |
| Temperatura | Normal | Febre (com menos de 3 meses, procure atendimento no mesmo dia) |
| Mamadas e xixi | Mais vezes, ou mais curtas e distraídas | Recusa quase todas as mamadas, ou bem menos fraldas molhadas |
| Barriga | Sem mudança | Vômitos repetidos, diarreia |
| Disposição | Mais grudado, mas acordado e atento | Molinho, muito sonolento, difícil de acordar |
| Respiração | Normal | Rápida, com esforço, com pausas ou chiado |
Guia aproximado, não substitui avaliação. Fontes no fim do texto.
Dentes costumam vir com baba, vontade de morder tudo e gengiva vermelha ou inchada. Doença traz sinais no corpo, como febre, nariz escorrendo, tosse ou manchas na pele. Nos primeiros meses existe ainda uma fase de mais choro, bem estudada, que não tem a ver com salto: explicamos em tipos de choro do bebê. Se ficar em dúvida entre salto e outra coisa, trate como outra coisa e pergunte ao pediatra. Não existe exame para salto.
O que a pesquisa diz sobre essas durações?
Aqui vale ser honesta. As datas e durações vêm de observações dos próprios autores com 15 bebês holandeses, publicadas em 1992. Em 1998, pesquisadores de Groningen, na Holanda, acompanharam 4 pares de mãe e bebê por 15 meses e não encontraram o padrão de 10 fases nas semanas previstas. Estudos na Espanha, em 2002 e 2010, encontraram períodos parecidos no primeiro ano, mas com 18 bebês e, no de 2010, com um dos autores do livro na equipe.
Em resumo: fases mais chorosas existem e muitas famílias se reconhecem nelas. O que não está confirmado é que venham em semanas fixas, com duração previsível. Contamos os estudos em detalhe em salto de desenvolvimento existe?
Como atravessar o salto?
- Conte em dias, não em semanas. “Hoje foi difícil” pesa menos do que “faltam quatro semanas”.
- Ofereça colo sem culpa. Sling, pele com pele, colo no sofá. Colo não estraga bebê: é o jeito dele de se reorganizar.
- Baixe os estímulos. Menos visitas, menos barulho, tela desligada no fundo, luz mais baixa no fim do dia. Excesso de novidade costuma agitar mais, e falamos disso em sobrecarga sensorial.
- Mantenha a rotina possível. Os mesmos rituais de banho, mamada e sono, mesmo com o sono picado.
- Fale o que está acontecendo. “Hoje está difícil, né? Eu estou aqui.” Ele ainda não entende as palavras, mas entende o tom.
- Brinque curto e junto. Dez minutos de brincadeira calma, olho no olho, valem mais que uma tarde cheia de atividades.

Dança lenta no colo
Coloque uma música calma, pegue o bebê no colo com a cabeça bem apoiada e dance devagar pela sala, cantarolando junto. Nos dias de mais choro, o balanço suave e a sua voz ajudam os dois a ir mais devagar. Fique sempre com ele no colo, sem chacoalhar.
10 minutos · uma música calma · 0 a 18 mesesReceba uma por dia no appE você? Cuidar de quem cuida
Fase de salto cansa mais quem cuida do que o bebê. Noites picadas, colo o dia inteiro, pouca pausa. É comum sentir irritação, vontade de chorar junto ou culpa por não estar aproveitando. Nada disso faz de você uma mãe pior.
Se houver outra pessoa em casa, dividam o turno: cada um com um horário para descansar de verdade, nem que seja uma hora. Aceite a ajuda que oferecerem e baixe o padrão da casa por uns dias. Se o cansaço não passa nem nas semanas tranquilas, leia sobre esgotamento materno e converse com alguém de confiança ou com um psicólogo.
E se em algum momento você sentir que vai perder a paciência, coloque o bebê no berço, de barriga para cima e sem objetos, saia do quarto por alguns minutos e respire. Nunca sacuda um bebê. Volte quando estiver mais calma.
Quando conversar com o pediatra
Perguntas frequentes
Salto de desenvolvimento pode durar um mês?
Pode parecer que sim. No salto de 4 meses, os autores descrevem uma fase difícil de cerca de 5 semanas em média, e no de 8 meses e meio, de cerca de 4. Somando uma gripe, um dente ou uma viagem, os dias difíceis podem se emendar e parecer um mês inteiro.
Qual é o salto mais longo?
Entre as durações que os autores publicam e que conseguimos conferir, a mais longa é a do salto de 4 meses: cerca de 5 semanas, podendo ir de 1 a 6. Ele também é o mais lembrado porque coincide com a mudança de sono que muitas famílias chamam de crise dos 4 meses.
Salto de desenvolvimento dá febre?
Não. Nada do que os autores descrevem inclui febre, vômito ou diarreia. Se o bebê tiver febre, trate como qualquer febre: em bebês com menos de 3 meses, procure atendimento no mesmo dia; nos maiores, converse com o pediatra.
Dar muito colo no salto deixa o bebê mal acostumado?
Não. Colo é como o bebê se reorganiza quando está difícil, e responder ao choro ajuda a construir confiança. Quando a fase passa, a maioria volta a aceitar ficar no tapete por mais tempo.
Posso começar a creche ou tirar a chupeta durante um salto?
Se der para escolher, espere uma semana mais tranquila para grandes mudanças. Se não der, tudo bem: vá devagar, com previsibilidade e mais colo nos primeiros dias. O texto sobre adaptação na creche traz o passo a passo.
O bebê pode passar por um salto sem dar sinal nenhum?
Pode. Muitos bebês atravessam essas épocas sem mudança perceptível no humor ou no sono. Isso não quer dizer que algo deixou de acontecer: cada bebê aprende no próprio ritmo, com ou sem fase chorosa.
van de Rijt H, Plooij FX. Oei, ik groei! (1992; edição em inglês pela W. W. Norton, 2019), e páginas de cada salto no site dos autores.
van de Rijt-Plooij HHC, Plooij FX. Infantile regressions: disorganization and the onset of transition periods. Journal of Reproductive and Infant Psychology (1992).
de Weerth C, van Geert P. Emotional instability as an indicator of strictly timed infantile developmental transitions. British Journal of Developmental Psychology (1998).
Sadurní M, Rostan C. Regression periods in infancy: a case study from Catalonia. The Spanish Journal of Psychology (2002); e Sadurní M, Pérez Burriel M, Plooij FX. The temporal relation between regression and transition periods in early infancy. The Spanish Journal of Psychology (2010).
NHS. When to get urgent medical help for babies and children under 5.

Joyce Sousa
Psicóloga · CRP 06/221203. Escreve no Bebê Brinca sobre emoções, vínculo e o brincar na primeira infância.
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Escrito por Joyce Sousa em 31/10/2026. Conteúdo informativo. Não substitui o acompanhamento do pediatra. Como fazemos o conteúdo
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